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[Crítica] Darksiders Genesis não surpreende, mas também não decepciona

- – Uma nova aventura na franquia infernal.

Por Lucas Rafael Darksiders é uma franquia de jogos conhecida por não possuir uma identidade, ao menos não no que tange a jogabilidade dos títulos que a compõem. O primeiro jogo era um hack n slash de ação, o segundo apresentava uma veia proeminente de RPG e o terceiro bebia das fontes de Dark Souls. Agora, este quarto game, subtitulado Genesis, apresenta uma câmera isométrica que remete a games como Diablo e Torchlight. No entanto, a surpresa vem quando percebemos que este novo modo de ver o mundo em Darksiders não altera em nada sua essência – Darksiders Genesis é o mais próximo em anos que a franquia chegou do gameplay estabelecido no primeiro título de 2010.

Temática e esteticamente, sempre existiu uma coesão no estilo de Darksiders. É algo como World of Warcraft encontra uma mitologia bíblica envolvendo anjos e nefilins e demônios. Neste sentido, os fãs de longa-data não vão se sentir perdidos ao ingressar em Genesis. Muito pelo contrário, possivelmente nem estranharão o novo visual do game, já que o gameplay é, em essência, muito parecido com o do primeiro Darksiders.

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Um dos motivos dessa semelhança ser tão notória é o retorno de Guerra, protagonista do primeiro game que é jogável novamente. Muitos de seus golpes antigos retornam aqui. A novidade vem na forma de Conflito – último Cavaleiro do Apocalipse que faltava aparecer na franquia – com golpes focados em tiros à distância ao invés da brutalidade mais manual de seu companheiro.

A trama de Genesis não traz lá muita coisa de especial, servindo como uma prequela para os eventos da franquia – se passando anteriormente a todos os outros jogos. Aqui, Guerra e Conflito são enviados até o inferno para verificar um distúrbio no balanço de poder, sendo causado por ninguém menos que Lúcifer.

 

 

Um dos pontos fortes do jogo se dá na relação entre Guerra e Conflito. Imaginem aqui algo meio Drax e Deadpool juntos. Guerra é austero, sério e comprometido enquanto Conflito é sarcástico, brincalhão e enérgico. O contraste entre ambas as personalidades é o principal mote de humor de Genesis, que hora arranca uns risinhos de canto de boca e hora aborrece um pouco.

Outro destaque é o modo cooperativo. Você pode alternar entre Guerra e Conflito quando bem entender jogando solo, mas existe a possibilidade de cooperatividade-local com outro jogador. Tudo fica mais divertido em dois.

O gameplay se resume à onze capítulos nos quais você varre hordas infernais, consegue novos poderes e habilidades para os protagonistas enquanto os customiza, enfrenta eventuais chefes e coleciona moedas para comprar artefatos do demônio Vulgrim, o vendedor de praxe em todos os títulos da franquia.

Através da jornada, você adquire novos equipamentos para os cavaleiros, permitindo-os acessar áreas antes indisponíveis do mapa. E como nem só de porradaria vive um bom jogo, Darksiders possui dungeons com alguns puzzles que ajudam a variar o ritmo da jogabilidade – isso sem falar nas sessões de plataforma, que são surpreendentemente bem divertidas.

O destaque, como sempre na franquia, vai para o combate. Dinâmico, rápido e preciso, espancar demônios e finalizá-los continua tão satisfatório quanto sempre foi. Genesis se afasta do combate compassado de Darksiders III e volta à rapidez brutal do primeiro título.

Mãos para o alto novinha.

O gráfico aqui não vai fazer o queixo de ninguém cair, mas tudo bem, já que é nessas horas que uma direção de arte digna salva bastante. Darksiders Genesis possui diversas paisagens detalhadas e estonteantes que vão fisgar seus sentidos, ainda mais aliadas à excelente trilha-sonora do game.

O maior problema de Darksiders Genesis é ele ser competente em tudo que se propõe sem jamais exceder em nada. A desenvolvedora Airship Syndicate desenvolveu o jogo para tirar 10 na prova, mas falta aqui alguma pungência mais visceral que encontrávamos nos dois primeiros games da franquia. Deixem-me tentar articular melhor esse pensamento no parágrafo seguinte.

Por mais que Darksiders 1 e 2 reciclassem tendências consolidadas de mercado, eles jamais se satisfaziam em apenas replicá-las, mas também em empregá-las da melhor maneira possível. Darksiders III e Genesis, quando colocados ao lado de seus irmãos, parecem mais subprodutos competentes do que títulos obrigatórios aos fãs do gênero.

Genérico” não é um termo justo para Darksiders Genesis, já que sua qualidade pontual o eleva para um pouco acima do termo. É um jogo bacana, especialmente se você tem alguém para jogar ao seu lado.

A nova câmera às vezes atrapalha quando algum pilar ou artefato cênico do mapa oculta seu personagem, que fica destacado então com linhas brilhantes para você não perdê-lo de vista – só que o jogo não faz o mesmo com os inimigos que acabam obstruídos por esses pilares/artefatos, o que é bem contra-intuitivo e quebra o ritmo do combate.

Darksiders Gênesis é um jogo ok. Se você tem certo investimento na franquia, acho que você já deve ter jogado (inclusive, perdão pela demora na entrega da análise, foi um fim de ano corrido). Se você está na dúvida entre jogar ou não, basta levar em conta a análise até aqui: não é um game preocupado em reinventar a roda ou causar grande impacto, mas é um jogo divertido que pontualmente se sobressai. É o clássico joguinho bacana.

 

Ficha Técnica

Desenvolvedora: Airship Syndicate, Airship Syndicate Entertainment, Inc

 

Publicadora: THQ Nordic

 

Plataforma: PlayStation 4, Nintendo Switch, Google Stadia, Xbox One, Microsoft Windows

 

Data de lançamento: Dezembro de 2019

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sobre o autor Lucas Rafael

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