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Por que a galhofa de Immortals Fenyx Rising é perfeita para o mito grego?

Por Márcio Jangarélli

Em Immortals Fenyx Rising, novo game da Ubisoft, a mitologia grega ganha tons cômicos, cartunescos e até caricatos, enquanto o jogo segue a aventura do Fenyx entre divindades e monstros. Essa abordagem do mito realmente funciona? Por que?

A lenda das divindades e heróis gregos é uma das mais famosas e influentes no curso da humanidade. Ao longo dos milênios, estes deuses e histórias foram tratados das maneiras mais distintas possíveis, do drama à comédia, passando pelo épico e até sincretizados na religião moderna. Quem nunca assistiu filmes como Tróia, com o Brad Pitt, ou até mesmo o Hércules da Disney? Eles estão nos jogos, nos quadrinhos, na música, na TV, adaptados de todas as formas, tamanhos e proporções.

Immortals Fenyx Rising, nova IP da Ubisoft, de produção da Ubisoft Quebec, aposta em uma abordagem mais cômica dessas aventuras. Entre piadas que funcionam ou não, um design super colorido, referências moderninhas e uma entrega total à galhofa, o game é entretenimento puro do começo ao fim, mesmo não seguindo uma linha God of War ou Assassin’s Creed – sisudos, que tratam o mito como algo mais sério e sangrento.

A questão é que Immortals trabalha uma das raízes que a cultura pop atual ignora um pouquinho ao se tratar dos mitos, principalmente os gregos. Acontece que eles nunca foram contados de forma puramente séria ou documental. Estas são narrativas que beiram o absurdo não só hoje, mas na época em que eram tidas como religião. 

Coisas como Zeus se transformando em todo tipo de pessoa ou animal para seduzir suas pretendentes, Prometeu acorrentado, com o fígado sendo comido por uma águia, Atlas, que carrega todo firmamento nos ombros, ou até mesmo Sísifo, que prende Tânato para enganar a morte, funcionam quase como fábula, com um enredo que engaja, mas uma moral para ensinar. 

As pessoas acreditavam, sim, nestas histórias, mas elas nunca foram transmitidas de forma puramente sóbria. Além da escrita, a principal forma de dispersão do conto era oral, por contadores e canções. A Odisseia e a Ilíada, documentos históricos importantíssimos, são epopeias, não registros propriamente ditos. São poesias épicas, com suas doses de fantasia e absurdo, que servem sim, hoje, para o estudo da Grécia antiga, mas que funcionaram um dia, também, como entretenimento.

Immortals, então, mistura comédia e tragédia em sua narrativa, as gêneses do teatro grego, quando trata de uma grandiosa tragédia, falando das divindades e heróis olimpianos, enquanto coloca estes personagens tão superiores em tons humanizados, cômicos. O game aborda as linhas mais absurdas do mito de forma tão leve que elas nem parecem tão inacreditáveis assim.

Ainda que seja legal ver grandes aventuras épicas e dramáticas sobre essas figuras que conhecemos de longa data, também é importante encararmos a máscara cômica, não só pela diversão, mas porque essa é uma das raízes do mito. Essas histórias foram intencionadas assim um dia e o humor é até um pouco mais didático para contá-las que a tragédia.

Qual é o seu conto grego favorito? Não esqueça de comentar!

Veja também nossa lista sobre o game logo abaixo:

Já se aventurou pela epopéia de Immortals Fenyx Rising? O game já está disponível para PS4, PS5, Xbox One, Series X, S, PC e Stadia.

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sobre o autor Márcio Jangarélli

Assessor, redator e jornalista. Madonna de Jakku.