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[Análise] Testamos o PlayStation 5 e o futuro é bem diferente do que imaginávamos

Por Márcio Jangarélli

Quando você era criança, como você imaginava que seria o futuro? No caso, como você imagina que seriam os videogames do futuro? Pessoalmente, acredito que todo mundo que nasceu nos anos 90, como é o meu caso, sonhava com realidade virtual, hologramas, gráficos hiper-realistas e coisas do tipo. Hoje, em 2020, pode ser que a holografia ainda não seja o que esperávamos, porém alcançamos quase todas essas metas. Mas o que vem depois disso?

Graças à Sony, tive acesso ao PlayStation 5 com um pouco de antecedência. O futuro chegou mais cedo por aqui e não vou mentir: fiquei extremamente feliz com isso. A curiosidade sobre a nova geração já estava matando, com todas as promessas, especulações e tudo mais. Agora, com o console na minha frente e o DualSense em mãos, pude entender a realidade do futuro dos videogames.

Adianto que é algo bem diferente do que poderíamos imaginar 25 anos atrás – e até mesmo sete anos atrás, quando o PlayStation 4 foi lançado. Mas é um diferente muito bom, impressionante. O que a Sony fez nessa geração é sobre potência, gráficos e rapidez, mas, acima de tudo, é sobre a criação de uma experiência inesperada, imersiva e prazerosa.

Conhecendo o PlayStation 5

Sim, o PS5 é enorme! Se você já tinha planejado um espaço na sua estante antes das medidas serem reveladas, é bom repensar. No entanto, o tamanho me enganou. Ele é mais leve do que parece e muito simples de montar. Te garanto que se eu consegui montar a base sem estresse, qualquer pessoa consegue.

Ah, vale ressaltar que não há barulhos aqui. Para os traumatizados com o PS4 Pro, o novo console é surpreendentemente silencioso. O som mais alto que ele emite é o do leitor de blu-ray, mas ainda assim é algo bem tranquilo. Ele não acordou ninguém de madrugada, nem atrapalhou a imersão, então não esquenta com isso.

Meu único incômodo foi o tamanho do cabo HDMI, que é mais curto que o do PS4. Considerando as dimensões do console e o malabarismo que muita gente vai precisar fazer para encaixá-lo em suas casas, o comprimento do fio é um tanto limitador.

Outra característica que não chega a ser um problema, mas que vale a pena citar, é que os botões de energia e para ejetar discos são bem pequenos e difíceis de identificar. Eu sei que na maioria das vezes fazemos essas coisas pelo controle ou pelo próprio menu, mas, caso precise fazer isso de forma manual, vai ser um pouco chato.

Ligando os motores

Depois de ligado, porém, você até esquece dessas coisas. O PS5 foi bem mais rápido e fácil de configurar que os outros consoles que eu já experimentei (e que possuem esse tipo de interação), como PS4, XOne, PS3 e Xbox 360. Em um tempo bem, bem curto, já recebi as minhas as boas vindas.

O novo menu é bem diferente dos que a PlayStation vem usando desde o PS3/PSP, então pode rolar uma certa estranheza no começo e te deixar um pouquinho perdido. No entanto, depois que você pega o jeito, ele se mostra mais simples e claro que os anteriores. 

Enquanto a aba central traz jogos, aplicativos, a PS Plus, a Store e a biblioteca de jogos, com acesso rápido às configurações e pesquisa, usando o botão PlayStation do seu controle você encontra os downloads, troféus, seu perfil, amigos e tudo mais. Essa divisão deixa a interface mais limpa e proporciona uma interação mais direcionada.

Falando em rapidez, não estavam brincando sobre o poder dessa geração. Consegui testar 3 jogos nesse meio tempo, dois de PS5, que eram bem diferentes, e um de PS4, para colocar à prova a tão aguardada retrocompatibilidade do console: Astro’s Playroom, Spider-Man: Miles Morales e Dark Souls Remastered (PS4). E a resposta de todos os games foi mais do que excelente.

Rodando os jogos

Começando pela retrocompatibilidade, meu Dark Souls Remastered é mídia física, então, se alguém tinha dúvidas se seus games físicos funcionariam ou se a retro seria apenas para jogos digitais, pode ficar despreocupado. Isso foi testado e aprovado. 

Aliás, mais que aprovado. Mesmo sendo um remaster, no PS4 o Dark Souls é bem lento. Já no PS5, o carregamento foi quase nulo. Só demorou um pouquinho para fazer todo o processo de criação do arquivo no console, mas isso foi algo de poucos minutos – o que eu não posso dizer da geração anterior.

Para falar sobre a potência gráfica, não tem um game melhor que Miles Morales. Além de extremamente rápido e praticamente sem loading, tendo apenas algumas telas de transição, os gráficos aqui fizeram meus olhos brilharem. 

Na verdade, tudo brilha; Ray Tracing é algo incrível, dando mais forma, mais vida e mais cores para a Nova York incrível construída pela Insomniac. É absurdo ver o Miles se pendurando pela cidade, com todas as sombras, luzes e texturas que são mostradas. Não consigo imaginar um game inicial melhor para mostrar a capacidade gráfica dessa geração. Deu vontade de parar o jogo e ficar apenas contemplando o céu da cidade em alguns momentos.

Trabalhando seus sentidos

Deixei o melhor por último. A PlayStation criou uma verdadeira experiência sensorial com esse console e é tudo graças ao som 3D e a interação de todos os elementos citados anteriormente com o DualSense. Esse controle é realmente tudo o que estavam falando e proporciona uma experiência única. 

Comecei o texto falando sobre nossas expectativas de infância exatamente por isso. A experiência que o DualSense trouxe é algo que eu não imaginava nem lá atrás e me empolgou muito mais que um VR, por exemplo. Através de um conjunto de vibrações diferentes, que compõem o tão falado sensor háptico, dos gatilhos adaptáveis, que mudam a pressão do botão conforme a situação pede, do áudio do controle e do sensor de movimentos, essa aventura foi uma explosão sensorial.

Minha recomendação é que, se você comprar o console, não deixe de jogar Astro’s Playroom. Além do jogo ser bem divertido, ele é focado em mostrar a capacidade do DualSense e de toda essa magia que o PS5 tem para oferecer.

Esse conjunto de funções do controle, somado aos gráficos, rapidez e som magníficos do console, criam algo difícil de descrever e que faz com que as gerações passadas parecerem até… sem tempero?

Não há delay nas interações do controle com os jogos. O sensor de movimentos, o touchpad e o microfone embutido do DualSense são fantásticos e se integram com facilidade ao que está sendo exibido em tela. A tal “função de sopro” que foi mostrada, por exemplo, é regulada conforme a força e o tempo que você está soprando no microfone e é imediata assim como os movimentos do controle e do touch. A interação com o game parece viva.

Para deixar isso mais profundo, o sensor háptico do controle emite várias vibrações distintas, separadas ou ao mesmo tempo, simulando todo tipo de ação e textura que você encontra. Com o toque, dá para discernir um personagem andando na areia, na neve ou na lama porque essas vibrações. Junte isso ao som e os gatilhos e pronto, você tem uma imagem mental e sensorial do que está rolando no jogo.

O que vem agora?

Depois de testar tudo isso, fiquei me perguntando o seguinte: como essas funções, essa experiência única que o console traz, serão implementadas pelas desenvolvedoras em seus títulos? Mas, mais importante, o que vem agora?

Minhas expectativas de infância já foram atingidas e o PS5 abriu um universo de possibilidades inusitadas para o futuro. Esse console é a sua própria aventura e só consigo imaginar como será o legado que esta geração vai desenvolver.

O PlayStation 5 chega ao Brasil em 19 de Novembro. O que você espera do novo console da Sony? Não esqueça de comentar!

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sobre o autor Márcio Jangarélli

Assessor, redator e jornalista. Madonna de Jakku.