A compra da Fox pela Disney tem um lado bem positivo

Capa da Publicação

A compra da Fox pela Disney tem um lado bem positivo

Por Guilherme Souza

Não podemos negar que a Disney se tornou a líder no mercado de entretenimento, principalmente em sua vertente cinematográfica, que fica maior a cada ano. Como se não fosse o bastante ser o estúdio de animação mais aclamado do mundo, a Disney também expandiu seu império para outras produções, algo que ficou ainda mais forte com a aquisição de outros estúdios, tais como Lucasfilm, Pixar e Marvel Studios

Em 2019, finalmente foi concretizada uma das maiores aquisições já feitas pela Disney, quando a casa do Mickey conseguiu colocar as mãos em grande parte das propriedades da 21st Century Fox, um dos estúdios mais antigos de Hollywood e detentor de diversas franquias importantes para a história do cinema. 

Na ocasião, enquanto muitos fãs ficaram contentes com a aquisição, principalmente porque isso garantiria as aparições dos X-Men e do Quarteto Fantástico no bem-sucedido Universo Cinematográfico Marvel, uma parcela do público ficou em alerta para o fato de que a Disney dominará uma parcela ainda maior do mercado, não oferecendo oportunidades reais e justas de concorrência e exercendo um certo monopólio. 

Não dá para negar que a Disney de fato irá monopolizar o mercado, afinal, já vimos isso acontecer antes mesmo de adquirir a Fox. O volume de lançamentos anuais da Disney e de seus estúdios adjacentes se tornou exorbitante, permitindo que a companhia atingisse valores recorde em arrecadação nas bilheterias, inclusive, em alguns períodos do ano, a Disney concorreu com ela mesma, já que muitos estúdios preferiram adiar seus lançamentos para evitar um possível fracasso comercial. 

Mesmo com essa diversificação cada vez menor nos conteúdos que veremos nos cinemas, ainda existe um lado positivo na aquisição da Fox, principalmente se analisarmos como fãs. 

Devemos levar em conta que grande parte do público não se atenta ao fato de que a Fox agora pertence à Disney, ainda mais se as franquias tradicionais do estúdio continuarem ganhando novas sequências, mas é exatamente nesse ponto que o controle da Disney se torna algo positivo. 

Como sabemos, a Disney tem o dom de criar franquias de sucesso e que, geralmente, agradam aos fãs e ao público em geral. É claro, a Disney não é perfeita e comete alguns deslizes graves que fazem os fãs sentirem vontade de cometer crimes de ódio, mas o saldo sempre se mostra positivo no fim das contas. 

Com esse pensamento em mente, podemos olhar para o que a Fox estava fazendo com suas franquias antes de ser comprada pela Disney e pensar que um novo controle criativo talvez seja excelente e exatamente o que o estúdio precisava. Embora a Fox tenha conseguido emplacar franquias de renome como Alien, Predador, Esqueceram de Mim e O Exterminador do Futuro, o tratamento que tais franquias receberam nos últimos anos foi no mínimo deplorável, fazendo com que elas perdessem o valor e o brilho que tiveram um dia e caíssem no ostracismo. 

Mesmo esforços mais recentes como Prometheus, Alien: Covenant e O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio, não tiveram resultados positivos, mostrando que essas franquias estão saturadas e que talvez seja a hora delas ganharem um descanso ou uma repaginação completa. 

Obviamente, não estou dizendo que a Disney deve recomeçar todas elas ou fazer remakes dos originais, mas como fã, penso que talvez seja a hora de ficarmos um tempo de ficarmos sem filmes ou séries desses produtos, pois eles merecem ser trabalhados de forma digna e voltarem a ter o brilho que um dia tiveram. 

O mesmo vale para os filmes da franquia X-Men. Apesar da Fox ter feito alguns acertos com os mutantes nos cinemas, principalmente em filmes como Logan, X-Men 2, X-Men: Primeira Classe e Deadpool, não podemos negar que o estúdio estava completamente perdido sobre a direção que deveria seguir com a equipe nas telonas e que eles não conseguiram ser tão bem-sucedidos quanto o Marvel Studios em adaptar os personagens dos quadrinhos para as telas. 

Decisões controversas, protagonismo exacerbado para personagens desnecessários e tantos outros erros cometidos pelo estúdio ao longo dos últimos 19 anos mostraram que era a hora dos mutantes voltarem ao lar. A prova mais recente disso foi o desastroso X-Men: Fênix Negra, que encerrou a saga dos mutantes de forma vergonhosa e se tornou um verdadeiro fracasso de bilheterias. 

Se o que o estúdio botou em prática já era mediano, os planos para o futuro eram ainda mais tenebrosos. Filmes como o Homem-Múltiplo, que seria estrelado por James Franco, ou o filme solo do Gambit de Channing Tatum, faziam com que os fãs se contorcessem em agonia à cada nova informação sobre eles. Felizmente, esses filmes podem nunca ver a luz do dia. É claro, não tem como saber se eles seriam ruins, mas dados todos os problemas de pré-produção pelos quais eles passaram, dá para ter uma ideia de que não seriam perfeitos. 

E eu nem preciso falar muito para dizer o quanto o Quarteto Fantástico pode se beneficiar desse novo controle criativo exercido pelo Marvel Studios. Desde que os direitos da equipe foram adquiridos pela Fox, eles tiveram de se limitar à três filmes bem ruins. Para ser justo, o primeiro filme ainda entra na linha do aceitável, mas só. 

Aposto que muitos fãs ainda sentem o gosto amargo deixado pela última aparição da equipe nas telonas e não adianta negar que grande parte da culpa por aquela atrocidade de 2015 é da própria Fox, que interviu no trabalho de Josh Trank no melhor estilo Liga da Justiça.

O Quarteto é uma das equipes mais importantes da Marvel e merece ser elevado a esse patamar nos cinemas. 

Também não podemos nos esquecer de que mesmo com a compra, a Disney continuará dando andamento em franquias feitas pela Fox que deram certo no passado, tais como Kingsman, Avatar e até o próprio Deadpool, mostrando que a fusão não significa o fim da Fox, mas sim uma otimização do que é produzido

Por fim, temos de pensar um pouco como consumidores, afinal, a Disney não é a única empresa do mundo a exercer um certo tipo de monopólio, já que ao analisarmos a indústria alimentícia, televisiva e até de comunicações, podemos notar alguns padrões similares, sendo assim, a tendência é que o mercado se torne mais homogêneo para atender às demandas, algo que também acontece em outras vertentes.

Se isso será algo bom ou ruim, só conseguiremos dizer com certeza a longo prazo, mas por hora, temos muitas novidades promissoras para os fãs.

Fique com algumas artes conceituais de Avatar 2:

Imagem de perfil
sobre o autor Guilherme Souza

Outra grande manchete: 'Água, molhada!'