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Watchmen – Atores falam sobre como a série se conecta à política do mundo real!

Por Gus Fiaux

Watchmen é uma das novas séries da HBO, e tem causado muito impacto por sua trama que é pautada em conflitos sociais e políticos da atualidade. Na série, um grupo de policiais/vigilantes precisa impedir a Sétima Kavalaria, uma organização supremacista que usa a máscara do Rorschach como seu símbolo, e que planejam um grande ataque para exterminar a população negra dos EUA.

Recentemente, os atores Hong Chau Louis Gassett Jr. participaram de uma extensa entrevista, onde falaram sobre vários elementos da série – inclusive as comparações com Game of Thrones. Na entrevista, eles foram questionados sobre o papel da Sétima Kavalaria, e como a série está retratando o papel de supremacistas raciais no mundo moderno.

O entrevistador então questionou Hong Chau – que interpreta a Lady Trieu na série – sobre como esse elemento pode ou não ser inspirado pela atual situação política dos Estados Unidos. Em resposta, a atriz disse que isso demanda reflexão, e que hoje em dia tudo demanda uma resposta rápida, sem muito pensamento sobre o assunto:

“Eu sinto que a forma como nos comunicamos agora é muito rápida e não permite respostas reflexivas, e você é questionado para tomar um lado imediatamente, ou ter uma opinião – uma opinião muito forte e estridente – sobre tudo. E eu acho que havia um tempo em que você poderia pensar mais calmamente nas coisas que iria falar, sair da situação e voltar a ela, e eu não acho que esse é o caso agora, e esse é um dos fatores pelos quais tudo parece tão intenso.”

Em seguida, foi a vez de Louis Gassett Jr., que interpreta Will Reeves (o avô de Angela Abar/Irmã Noite) comentar a respeito de como elementos do mundo real impactaram na produção da série. Um dos elementos que ele cita é a presença de Bass Reeves, o xerife do velho oeste que aparece no primeiro episódio da série, e que foi um personagem real.

A entrevista de Gassett explicita como algumas figuras históricas – sobretudo negras e de minorias étnicas – acabaram sendo apagadas da mídia. No caso de Bass Reeves, trata-se de um dos maiores xerifes do oeste americano, mas que nunca teve um filme feito sobre ele:

“Eu meio que acho, porque tenho feito isso por muito tempo, que há certas lições em cada área que eu tive que aprender. Algumas vezes, eu às rejeitei. Algumas vezes, eu relutantemente às trouxe de volta. Eu não tive um histórico para ser separado, legal e igualitário. Eu fui criado em uma vizinhança diversa, onde ninguém tinha dinheiro, então éramos como uma sociedade de diversos tipos de pessoas no mundo. Nós compartilhamos coisas juntos. Se alguém conseguisse comida, eles dividiam com toda a vizinhança. Essas são as minhas raízes. E uma vez que eu consegui o talento da atuação e entrei para o teatro e para os cinemas, isso era quase sempre verdade [nesses mundos criativos]. Mas no resto do país, não era. Então, eu me senti acorrentado em árvores e todos os tipos de coisa – esse é o DNA da desigualdade. Eu tive que lidar com isso, caso contrário eu estaria perdido. Então eu aprendi a me virar, por assim dizer. E eu tive que sobreviver e encontrar recursos em um grupo de amigos com os quais sempre pude contar, que diriam: ‘Não se preocupe com essas pessoas. Venha até nós todos os dias.’ Então, de qualquer forma. Para resumir um pouco, Bass Reeves era um personagem real. Ele era o maior xerife do oeste. Ele e Wyatt Earp. Eu queria interpretá-lo quando era mais jovem, mas irei interpretá-lo mais velho. Ele tem o melhor recorde de um xerife no oeste e ninguém nunca fez um filme sobre ele. Bass Reeves. Pesquise sobre ele. Ele é o xerife mais bem-sucedido da história do oeste. Agora, ele tem 105 anos de idade. Ele carrega esse tipo de magia. Há um profundo elemento de xerife em seu personagem […] E então eu acho que Damon [Lindelof] e as pessoas pensaram que eu ou Sidney Poitier ou outra pessoa podiam interpretar essa versão do personagem, com 105 anos, em uma cadeira de rodas. Então, estou muito lisonjeado por ter sido confiado a esse papel. É uma grande responsabilidade, porque eu tenho coisas pessoais que gostaria de colocar aqui. Eu não posso. Preciso contar a melhor história.”

Watchmen continua sendo um dos maiores destaques da HBO neste ano. A série tem lidado com vários problemas do mundo real de uma forma distópica, assim como a graphic novel de Alan Moore Dave Gibbons o fez na década de 80. A série também tem relembrado vários momentos históricos dos Estados Unidos que foram “apagados” pela história, como o Massacre de Tulsa. 

Na galeria abaixo, fique com imagens da série:

Watchmen vai ao ar aos domingos, na HBO.

Fonte: Generic Interviews

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux