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Walt Disney: Do lixo ao luxo!

Por Gus Fiaux

Se você é um grande conhecedor de como funciona o sistema cinematográfico mundial – ou até mesmo se é apenas um fã de filmes, já percebeu: A Disney não está para brincadeira. Atualmente, a casa do Mickey Mouse controla um império midiático, alastrado nos cinemas, TVs, livros, quadrinhos, parques temáticos, jogos e diversas outras plataformas.

Hoje em dia, é quase impossível nos afastarmos da influência da empresa, que detém propriedades gigantescas como a Marvel, Star Wars e, mais recentemente, a Fox.

Mas nem tudo foi sempre assim.

Desde seu início, a história da Walt Disney Company foi pontuada por alguns altos e baixos. Embora muitos não saibam, a companhia estava à beira da falência quando Walt Disney lançou Branca de Neve e os Sete Anões, revitalizando o mercado cinematográfico ao lançar o primeiro – e extremamente bem-sucedido – longa-metragem animado e sonoro.

Foi justamente essa empreitada que fez com que o estúdio se tornasse muito conhecido por suas animações. Durante muito tempo, o carro-chefe da empresa era o Walt Disney Animation Studios, que produziu, ao longo que quase um século, cerca de sessenta animações em longa-metragem (além de centenas de curtas). Em termos de live-action, no entanto, a companhia era pontuada por doses calmas de brilhantismo, sempre que saía algo genial como Mary Poppins.

No entanto, no início dos anos 2000, a Disney viria novamente a enfrentar maus bocados. Sob o comando de Michael Eisner, a empresa estava com dificuldades para encontrar seu “nome” na virada do século. Após várias complicações de ordem financeira e midiática, o estúdio acabou tendo uma queda brusca em seus lucros.

Nesse período, a empresa não estava lançando animações muito bem recebidas – no que ficou conhecida como a “Era Experimental” das animações do estúdio, que se entregou ao 3D de baixa qualidade e a histórias que já não ressoavam com o público, resultando em filmes como O Galinho Chicken Little e Bolt: Supercão.

Toda essa transição se deu, de muitas formas, pelo intercâmbio cultural de artistas da Walt Disney Animation Studios para uma empresa menor e recém-nascida: a Pixar. Até então, o estúdio não fazia parte do portfólio da Disney, mas sempre houve um interesse – tanto que era a empresa que distribuía os longas produzidos pela Pixar no período.

Em live-action, as coisas iam navegando em águas misteriosas. Isso por quê, no início da década passada, o estúdio estava mandando bem com algumas produções, como a franquia Piratas do Caribe, que em sua primeira trilogia se provou muito lucrativa e rentável.

Outras empreitadas, no entanto, não tinham o mesmo sucesso. Foi justamente nesse período que a empresa se rendeu à produção de filmes lançados diretamente para home video (DVDs e Blu-Rays), deixando os cinemas para longas realmente excepcionais.

Os acionistas estavam inseguros com o futuro do estúdio. Diferente de 1920, quando achava-se que a empresa ia falir, aqui estávamos apenas no começo de um declínio – e para ser evitado, a primeira decisão foi tirar Michael Eisner do cargo de diretor executivo.

E após alguns percalços empresariais, entra a figura que mudou quase tudo: Robert “Bob” Iger.

Iger se juntou no cargo de CEO em 2005, por recomendação do próprio Eisner. A partir daí, os anos seguintes seriam de reavaliação e reestruturação dos planos. O estúdio tomaria as medidas necessárias para se expandir, ao mesmo tempo em que buscaria alternativas para mais lucro a longo-prazo.

E foi justamente por esse motivo que, em 2006, a companhia anunciou a compra da Pixar. Steve Jobs, que era o CEO do estúdio animado na época, dispôs sua parcela de ações em troca de uma quantia significativa de cerca de US$ 7,4 bilhões, o que fez com que todos os filmes lançados a partir dali teriam input e financiamento da Disney.

Isso acabou se provando a salvação para a Walt Disney Animation Studios. Após entrar em sua “Era Moderna”, com A Princesa e o Sapo (algo que só aconteceu em 2009), o estúdio “cobrou de volta” o intercâmbio cultural que havia feito com a Pixar no início da década. Com isso, deu-se o início à produção de longas com 3D de qualidade e uma busca pelo original, retornando às raízes que popularizaram as animações da companhia.

(Infelizmente, a contrapartida disso foi uma visível queda de qualidade na produção da Pixar, que lançou longas mundialmente criticados, como Carros 2 e O Bom Dinossauro).

Mas a expansão da Disney não termina aí. Em agosto de 2009, a empresa anunciou a compra da Marvel Entertainment, pela bagatela de US$ 4 bilhões. A partir daí, as produções que pertenciam ao próprio estúdio da editora (a Marvel Studios) migraram da Paramount para a Disney, que passou a financiar e distribuir a franquia atualmente conhecida como Universo Cinematográfico da Marvel.

É claro que não ia parar por aí. Em 2012, quando a empresa já tinha se recuperado de seu declínio, foi anunciada a compra da Lucasfilm, também por um valor aproximado de US$ 4 bilhões. A partir daí, a Disney passou a ser dona de franquias como Star Wars e Indiana Jones.

Com essas três empresas na mão, o estúdio vivenciou uma ascensão jamais vista no mercado cinematográfico. Basta dar uma olhada no top 100 de bilheterias mundiais: mais de 30 filmes fazem parte da lista, com mais da metade desses filmes tendo sido lançados de 2009 para cá.

E engana-se quem acha que o lucro vem só da bilheteria. Na verdade, se pararmos para pensar, essa parcela é até pequena. Temos produtos de licenciamento, ingressos dos parques oficiais da empresa, publicidade na televisão, sem contar o massivo investimento de acionistas, que nunca esteve tão disputado.

Assim, não é surpresa alguma que o estúdio recentemente – e depois de uma novela colossal que todos vocês acompanharam – tenha adquirido a 21st Century Fox. E as consequências desse acordo são maiores do que os X-Men e o Quarteto Fantástico na Marvel, algo que já falamos amplamente no passado (aqui, por exemplo).

Mas não há como negar que a Disney se tornou um verdadeiro leviatã multimidiático, e tudo graças à decisões internas de expansão e investimentos de risco – afinal de contas, quem iria imaginar, há dez anos atrás, que a Marvel poderia ser o titã que é hoje? Ou que Star Wars ainda tinha força suficiente para conquistar novas multidões, além de fãs antigos?

E isso porque nem estou entrando em mais detalhes a respeito de outras empreitadas da empresa, como os bem-sucedidos remakes em live-action de suas clássicas animações.

No geral, a Disney dominou o mundo. É difícil imaginar, pelos próximos anos, em não ter contato com nenhum produto da empresa. O que antes era uma companhia tradicional, mas pequena, que se voltava para produções infantis e animadas, hoje em dia é um colosso gigantesco – e que não vai ser derrubado tão cedo.

 

Na galeria a seguir, fique com imagens de Vingadores: Ultimato, um dos próximos lançamentos da Disney:

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux