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Star Wars: Episódio IX – A ascensão dos fãs!

Por Raphael Martins

No momento, o mundo espera ansioso por Vingadores: Ultimato, um dos filmes mais esperados do ano e que encerrará uma história iniciada há mais de 10 anos, quando Homem de Ferro deu origem a toda uma nova maneira de se fazer filmes de super-heróis e ditou a tendência do que daria certo em Hollywood pelos anos que se seguiram. Mas durante esta semana, na última sexta-feira, para ser exato, as pessoas se lembraram de uma outra franquia, ainda mais poderosa e muito mais antiga, que se mantinha um tanto quanto silenciosa há alguns meses e tornou a despertar fazendo muito barulho: Star Wars.

Todos nós sabíamos que isso aconteceria. Todos sabíamos que este dia chegaria. O final da saga da família Skywalker, da história “principal” da ópera espacial, voltaria a encher o coração dos amantes da série e da cultura pop como um todo com um hype e um sentimento de necessidade que apenas uma história que está sendo contada há mais de 40 anos poderia. Star Wars está de volta, e este momento é dos fãs.

Durante a edição 2019 da Star Wars Celebration, foi divulgado o trailer de Star Wars: A Ascensão Skywalker, e a energia que tomou conta do local foi tamanha que logo se espalhou pelo resto do mundo, que acompanhava o painel do filme ao vivo pela internet. Assim como a própria Força, que nos cerca e nos une, o amor pela série tornou a fazer os corações de quem ama a saga baterem como um só, em um sentimento muito debatido em todas as histórias passadas em uma galáxia muito, muito distante: esperança.

A Ascensão Skywalker: A saga chega ao fim… de novo

Mas por que esperança? Bem, talvez os próprios fãs possam responder essa. Os últimos dois filmes da saga principal, apesar de terem arrecadado quantidades atrevidas de dinheiro nas bilheterias, estão longe de ser uma unanimidade. Muitas pessoas reclamaram, cada uma com suas próprias razões, sobre o que veem como problemas sérios de narrativa, falta de ideias originais e decisões polêmicas do roteiro. E é um direito sagrado delas não gostar, ninguém é obrigado a bater palmas para tudo o que é feito com sua série preferida só porque tem o nome dela escrito. Não vivemos sob o regime do Império.

Mas no coração delas, batia o sentimento de esperança, a mesma esperança que moveu Jyn Erso a roubar uma nave cargueira com um punhado de soldados e ir até um planeta fortemente vigiado para roubar os planos da Estrela da Morte. A mesma esperança que fez com que a princesa Leia se mantivesse firme e forte durante todos os anos de guerra civil galáctica, ou de ver a Primeira Ordem ganhar cada vez mais poder e de seu próprio filho ter se voltado para o lado sombrio da Força. “Esperança” é uma palavra muito forte para um fã de Star Wars.

Mas essa esperança não vem do nada. Todos nós, fãs, já passamos por isso antes, durante a era da trilogia prequel, iniciada em 1999 com A Ameaça Fantasma, que assim como O Despertar da Força, foi uma das maiores bilheteria do ano e dividiu opiniões. Só que no caso do Episódio I, a coisa foi bem, bem pior. Em pouquíssimo tempo, os próprios fãs sentiram o gosto amargo de que algo estava errado, quase como se sentissem uma perturbação na Força.

De repente, aquela série de filmes que parecia intocada, quase divina, não era mais tão legal assim. Houve descontentamento, decepção e até mesmo revolta, numa época onde a internet entrava cada vez mais na vida do cidadão comum, e com ela, a possibilidade de falar o que quisesse de quem quisesse onde quisesse, o que, com os sentimentos errados, pode ter efeitos devastadoramente negativos. E iria piorar.

A Ameaça Fantasma trouxe uma nova geração de fãs, mas muita gente torceu o nariz

Três anos depois, chegava aos cinemas o Episódio II, Ataque dos Clones, que continuaria a história dez anos depois de onde o filme anterior parou. Tínhamos um Anakin Skywalker mais velho, mas ainda com muito o que aprender, e uma nova aventura com bem menos politicagem chata que a passada. Mas ainda assim, o filme não foi muito bem recebido pelos fãs. A trama arrastada e o romance insosso entre Anakin e Padmé fizeram os fãs torcerem o nariz, e desta vez, isso se refletiu nas bilheterias, que naquele 2002 ficaram nas teias do Homem-Aranha.

Mas a esperança, ah a esperança… ela é um sentimento difícil de se lidar, e ainda mais difícil de se refrear. E os fãs de Star Wars seriam recompensados por manterem-na viva com A Vingança dos Sith, que não é perfeito, mas cumpria o que prometia de maneira competente. Vimos a queda dos Jedi, a ascensão do império ao poder e o duelo titânico de mestre e aprendiz que levaria ao nascimento de Darth Vader como o conhecemos. E depois… silêncio.

Pelos anos que se seguiram, Star Wars continuou da mesma maneira que continuara quando a trilogia clássica terminou, através de quadrinhos, livros e jogos, no chamado “universo expandido” que tanto contribuiu para o cânone da série durante muitos anos. George Lucas jurava de pés juntos que não faria mais nenhum outro filme, os fãs estavam de boa com isso e a vida seguiu seu rumo. Havia equilíbrio na Força. Mas ele em breve seria abalado.

Em 2012, a Disney anuncia que comprara a franquia das mãos de Lucas por módicos quatro bilhões de dólares e que faria uma nova trilogia de filmes, continuando a partir de O Retorno de Jedi. A esperança cantou alto neste dia, mas o medo também, com muitos fãs travando a mesma batalha interna de Anakin Skywalker contra o lado sombrio, confusos sobre se achariam isso algo bom ou ruim. Dez anos depois do último filme, O Despertar da Força chegou, fez barulho e, como sempre, dividiu opiniões.

Talvez o filme mais polêmico de toda essa trajetória, até mais que A Ameaça Fantasma, seja Os Últimos Jedi, que até hoje é assunto em discussões acaloradas entre fãs. A desconstrução total das expectativas dos mais ansiosos para ver como a história continuava era algo com o qual muita gente não estava preparada para lidar, para o bem e para o mal. Personagens como Snoke, Rose Tico e Luke Skywalker ainda rendem argumentos a favor e contra o filme pela maneira como o roteiro os conduziu, e parece que continuará assim por muito tempo. O que nem de longe é algo ruim, toda discussão democrática é boa e válida.

Os Últimos Jedi: o episódio mais polêmico da franquia continuará sendo alvo de discussões por muito tempo

Agora, tentamos nos preparar psicologicamente para A Ascensão Skywalker, o dito “último episódio” da saga principal, pelo menos até deixar de ser. Durante todos esses anos, aprendemos que, em se tratando de uma galáxia muito, muito distante, final nunca é final. Desse modo, seguimos esperando, acompanhando religiosamente a saga que ajudamos a construir com um misto de otimismo e desconfiança no coração… e o som da risada maligna de um certo lorde Sith na cabeça.

Veja também várias imagens do novo filme:

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sobre o autor Raphael Martins

Redator, apresentador e roteirista. Gosto de longas caminhadas na praia, Star Wars, tokusatsu, anime e filé com batata frita. Deixo as pessoas constrangidas. Você pode trocar uma ideia comigo no Twitter: @aqueleraphael