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Precisamos do mesmo ator interpretando o mesmo personagem por vários anos?

Por Guilherme Souza

Recentemente, muitos fãs dos filmes que adaptam os super-heróis da DC Comics ficaram desolados com a notícia de que Ben Affleck havia deixado o papel de Batman. Embora o ator tenha interpretado o personagem por pouco tempo, muitos sentiram empatia por sua interpretação, principalmente por conta de sua caracterização e trejeitos que eram extremamente similares ao Batman dos quadrinhos.

Com isso, começou uma verdadeira comoção para descobrir quem seria o próximo homem-morcego dos cinemas, mas até o momento, o diretor Matt Reeves não se manifestou sobre o assunto. A saída de Affleck nos faz pensar que, talvez, toda essa cultura do mesmo ator interpretando um determinado personagem portanto tempo pode não ser uma coisa boa, tanto para os fãs quanto para os atores.

Não é de hoje que diversos atores de franquias grandes acabam caindo no esquecimento depois que as franquias que os tornaram famosos acabam. Embora muitos atores de filmes da Marvel e da DC já sejam consagrados no mercado, muitos também são novatos que estão tendo a primeira grande chance de fazer um trabalho de renome. Mas além disso, o fato do público criar um vínculo com os atores em determinados personagens, faz com que se crie uma resistência ao fato deles deixarem o personagem um dia, algo que pode ser extremamente prejudicial.

Por mais que Robert Downey Jr. pareça ter nascido para interpretar o Homem de Ferro, não devemos nos esquecer que ele ainda é um ser humano que envelhece e, com o tempo, seu corpo não permitirá mais que ele faça o personagem da maneira correta e isso vale para todos os atores que interpretam personagens que são “eternos” de algum modo.

Hugh Jackman, decidiu que ia se aposentar do papel do Wolverine após interpretar o personagem em 10 filmes diferentes. Na época, o ator alegou que o treinamento necessário para interpretar o personagem era extremamente exaustivo e que seu corpo já não correspondia mais às dietas e os treinamentos. Mesmo com motivos plausíveis, os fãs não cansam de pedir que Jackman reconsidere sua decisão e volte a interpretar o personagem.

Todo esse apego com os atores impede que novas adaptações sejam feitas com uma frequência maior, além do fato de que ficamos limitados a apenas uma versão do personagem, algo que a DC parece ter entendido e está tentando mudar. Por mais que Jared Leto seja um excelente ator, é inegável que a interpretação e a caracterização dele como Coringa foi lastimável, deixando muitos fãs desapontados. Leto veio para ser o novo Coringa do Universo DC nos cinemas, mas ao que parece, isso não durou muito tempo e o personagem acabou sendo “jogado para escanteio”.

O Coringa é um dos personagens mais importantes do Universo DC dos quadrinhos e é óbvio que a Warner Bros. não deixaria de usá-lo por conta de uma adaptação ruim, com isso, o estúdio resolveu colocar o personagem em um filme solo, interpretado por Joaquin Phoenix e que não possui ligação com os eventos dos filmes em que o Coringa é interpretado por Jared Leto.

A manobra pode ser arriscada, já que isso pode causar uma certa confusão no público, contudo, o estúdio está sendo ousado e levando a essência dos quadrinhos ao pé da letra. Nos quadrinhos, cada desenhista possui um traço próprio, que faz com que os personagens possuam aparências diferentes cada vez que um novo quadrinista assume a arte do título, nos cinemas, esse conceito também pode ser aplicado.

O fato dos filmes da Marvel Studios serem todos lineares e contarem uma narrativa que se conecta entre eles, faz com que esse conceito de mudança de atores seja um pouco mais difícil, mas mesmo assim, o estúdio não está “amarrado” a um único ator, mostrando que substituição não é um problema. Seja pelo Hulk de Edward Norton ou pelo Caveira Vermelha de Hugo Weaving, o que importa é a essência do personagem ser respeitada e fazerem adaptações de alta qualidade.

É claro, ver um ator no mesmo papel por muito tempo cria um laço emocional muito maior com o público, fazendo com que suas despedidas sejam mais dolorosas e aclamadas, contudo, os personagens não deveriam ficar limitados em apenas um ator os interpretando por vez.

Citando a DC como exemplo novamente, muitos fãs concordam que o Superman de Tyler Hoechlin, das séries da CW, é muito mais fiel ao Superman dos quadrinhos do que a versão de Henry Cavill e jamais conseguiríamos afirmar isso se não tivéssemos como comparar. O mesmo aconteceu com o Ciborgue da série Patrulha do Destino, que ficou melhor do que a versão dos cinemas. Os comparativos são inevitáveis, porém é possível adaptar os mesmos personagens com atores diferentes e a franquia 007 já deixou isso mais do que comprovado. Caso esse conceito de manter diversos atores atuando ao mesmo tempo em um determinado personagem se torne uma tendência, poderemos ter um avanço exponencial na indústria de adaptações de quadrinhos, mas será que o público está pronto para isso?

Fique com imagens de Shazam!, próximo filme da DC:

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