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Pode boicotar! – Como Capitã Marvel vai sobreviver aos haters!

Por Gus Fiaux

Nesta quinta-feira, o Universo Cinematográfico da Marvel está prestes a ficar ainda maior com a chegada de uma nova heroína. Voltando a fita para os anos 90, testemunharemos o surgimento da Capitã Marvel. Porém, antes mesmo de lidar com os Kree, Skrull e outras ameaças super-poderosas, ela já está enfrentando seus primeiros vilões: os trolls de internet.

Quem acompanha as novidades do mundo nerd sabe que Carol Danvers está sendo posta à prova desde que seu filme foi anunciado. Se, por um lado, alguns criticaram a decisão da Marvel Studios de apresentar essa versão da personagem em vez do Mar-Vell, outros já começaram a implicar com pequenos detalhes, desde o traje à atriz que a interpreta.

Não é segredo nenhum que Brie Larson é uma forte ativista da causa feminista. A atriz esteve envolvida em diversas campanhas, movimentos e organizações que buscam estabelecer igualdade entre os gêneros. Mais do que isso, ela luta em prol da diversidade e inclusão, seja nos cinemas ou fora deles.

Isso por si só já é o suficiente para atrair a antipatia e inimizade de alguns grupos pequenos, mas vocais, que lutam contra a “esquerdização” da mídia – como se representar um público maior fosse uma pauta ideológica de um viés unilateral e não representasse também, um retorno financeiro maior para os produtores (em outras palavras, a lógica básica do capitalismo).

Há meses, a atriz vem sendo atacada de diversas maneiras. E esses ataques começaram a ser direcionados para o filme da personagem. Há quem implique com coisas mínimas – como por exemplo, Carol Danvers sorrir pouco nos materiais promocionais do longa-metragem.

Aliás, a questão do sorriso é algo sintomático que é pouco discutido quando falamos de estereótipos e dizeres machistas. Há toda uma ideia de que mulheres devem ser simpáticas, sorrindo mais e mostrando mais carisma. Ninguém quer ver uma mulher durona, que diz poucas palavras mas faz a coisa certa quando precisa.

E isso não é algo simplesmente discutido por um reles redator em um site brasileiro de quadrinhos. Pesquisas acadêmicas, textos teóricos e até mesmo grandes personalidades envolvidas no movimento sempre atentam para o fato de “o que é esperado de uma mulher”. E uma das características principais é simpatia e carisma.

Mas isso não significa necessariamente que a Capitã Marvel não será carismática. Quem acompanha o legado de Larson sabe que ela já fez produções sérias, como O Quarto de Jack, e filmes divertidíssimos, como Scott Pilgrim Contra o Mundo. Simpatia não é algo que falta à atriz. E nem talento de interpretação, como alguns dizem – não é à toa que ela carrega um Oscar de Melhor Atriz nas costas.

Mas voltemos ao foco. Nas últimas semanas, o filme recebeu um ataque ferrenho: várias contas começaram a negativar o longa no Rotten Tomatoes e no IMDb, abaixando sua média de antecipação – e até mesmo sua pontuação, antes mesmo do longa ser lançado.

Isso fez com que os sites tomassem providências. O Rotten, que é um grande portal de críticas cinematográficas, baniu o botão de antecipação do longa, tornado-o bloqueado para o público. Até o momento, sequer sabemos se o site vai liberar a avaliação dos usuários, com a campanha insidiosa dos haters.

O motivo disso? Há cerca de um mês, Larson disse que “buscava por uma campanha de divulgação mais diversa”. Na entrevista, fornecida à Marie Claire, a atriz explica que, na divulgação dos seus filmes anteriores, ela sempre se viu sendo entrevistada pelo mesmo tipo de pessoa: homens brancos.

Por conta disso, ela queria que a divulgação de Capitã Marvel, em especial, fosse feita com entrevistadores mais diversos – note que, em momento algum, ela exclui homens brancos do meio. Sua única intenção era dar mais espaço e oportunidades para outros jornalistas, especialmente mulheres e pessoas não-caucasianas.

Mesmo assim, muitos tiraram de contexto a entrevista e começaram a compartilhar fake news na internet. Alguns perfis inclusive espalharam a notícia de que “a atriz não queria que homens brancos assistissem ao filme”. E assim, começou uma campanha massiva de boicote, nunca antes precedida por um filme de super-heróis na história.

Felizmente, Carol Danvers já está voando mais alto que seus detratores. As pesquisas iniciais dos sites que se antenam nas bilheterias de Hollywood já demonstraram que o longa pode arrecadar cerca de US$ 100-120 milhões de dólares. Essa é uma marca excelente para filmes do gênero, e já prova o alcance da heroína na bilheteria completa.

Mais do que isso, o longa está abrindo portas no Universo Cinematográfico da Marvel. É o primeiro filme da franquia a contar com a participação de uma diretora – Anna Boden, que trabalha ao lado de seu colega de longa-data, Ryan Fleck – e será o primeiro longa solo de uma heroína nesse universo.

Isso já tem aberto portas para diversas outras franquias e filmes solo. No ano que vem, a Viúva Negra deve ganhar seu próprio longa, e ainda há a discussão recorrente sobre uma equipe protagonizada por mulheres. Com isso, a Marvel Studios já está bem mais perto de trazer a ideal igualdade de gêneros na qual outros estúdios e franquias deveriam se espelhar.

E não pensem que isso é mérito exclusivo do filme. Há cerca de dois anos atrás, Mulher-Maravilha chegava aos cinemas fazendo o mesmo estrondo, e abrindo os olhos do público para essas mesmíssimas questões, mas do lado da DC Comics. Agora, o reconhecimento de duas grandes heroínas nesses dois universos mostra que o mundo heroico está cada vez mais inclusivo.

Além disso, é a prova de que o boicote de grupos raivosos e anti-progressistas pode até assustar, mas não leva a muita coisa. Pegue, por exemplo, o sucesso financeiro de Pantera Negra e Star Wars: O Despertar da Força, por exemplo. Dois filmes que garantiram um grande lucro nas bilheterias, apesar de contar com fortes ameaças de boicote.

A moral da história é: não há como impedir as mudanças. E Hollywood felizmente está se tornando um local muito mais inclusivo e diversos, mesmo com alguns obstáculos a serem enfrentados. De um jeito ou de outro, a Capitã Marvel já provou o seu valor e virá para queimar a língua de todos aqueles que tentaram impedi-la. E depois, quando essa camada de trolls for detida, finalmente a heroína vai poder focar sua atenção em uma ameaça realmente significante: um certo Titã Louco…

 

Na galeria abaixo, fique com imagens do filme:

Capitã Marvel chega aos cinemas no dia 7 de março.

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux