Existe chance de concorrer com a Disney?

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Existe chance de concorrer com a Disney?

Por Guilherme Souza

Recentemente, foi revelado que a Disney quebrou um grande recorde de bilheterias nos Estados Unidos em 2018, se tornando o primeiro estúdio a arrecadar mais de US$ 3 bilhões somente em território norte-americano. Além disso, o estúdio fechou o ano arrecadando, mais uma vez, mais de US$ 7 bilhões em bilheterias mundiais, se consolidando como um dos maiores estúdios cinematográficos do planeta.

Esse pequeno resumo serve para ilustrar o quão imponente a Disney se tornou no mercado cinematográfico e, ao que parece, o poder do estúdio só fica cada vez maior, colocando-o em um patamar onde, dificilmente, será alcançado.

Em 2018, a Disney lançou cerca de 10 filmes nos cinemas, um número expressivamente alto, considerando que o estúdio precisa distribuir esses lançamentos ao longo do ano, fazendo com que praticamente todos os meses do ano contassem com um lançamento do estúdio. Em 2019, o número será ainda maior, o que nos faz pensar que o estúdio chegou em um ponto em que está concorrendo consigo mesmo, já que terá de remanejar as datas de lançamentos das produções para que fiquem muito próximas umas às outras, não abrindo espaço para que a concorrência tenha chance de fazer seus lançamentos sem bater de frente com produções de peso.

Além de contar com suas próprias produções, sejam elas animadas ou filmes em live-action (incluindo os já tradicionais remakes de animações clássicas), atualmente, a Disney conta com produções das franquia Marvel e Star Wars, além do estúdio de animação Pixar e da Buena Vista, responsável por distribuir filmes que fogem do âmbito familiar padrão da Disney. Por falar em Buena Vista, este ano, a marca ficará responsável por fazer a distribuição de Vidro, um dos filmes mais aguardados do ano e que encerra a trilogia narrativa iniciada com Corpo Fechado.

Ao falarmos sobre os remakes em live-action, 2019 marca o ano em que o estúdio assume de vez essa nova identidade e coloca nada menos do que três produções no mercado (O Rei Leão, Aladdin e Dumbo), o que já oferece um risco extremo para quem quer se arrisque a enfrentar tais produções nas bilheterias, dada a popularidade de tais franquias, bem como o êxito que o estúdio obteve com lançamentos da mesma linha no passado.  

A lista infinita de lançamentos continua com outros pesos pesados, tais como Frozen 2 e Toy Story 4, continuações de animações aclamadíssimas e que são garantia de sucesso, mais uma vez, sendo ameaças para quem quer que ouse enfrentá-las. Ao falarmos sobre as produções da Marvel Studios, 2019 marca um dos anos mais fortes do estúdio, com o lançamento de Capitã Marvel, o primeiro filme solo de uma super-heroína do estúdio, Vingadores: Ultimato, que depois do sucesso estrondoso do filme anterior da equipe promete ser um dos maiores lançamentos do ano e, por fim, Homem-Aranha: De Volta ao Lar que, embora seja produzido pela Sony e tenha lucros revertidos para a mesma, também conta com o selo Marvel Studios, o que significa que ele indiretamente se inclui no calendário de lançamentos da Disney.

Por fim e não menos importante, chegamos ao lançamento de Star Wars Episódio IX. Não é preciso falar muito sobre o histórico dos últimos filmes da saga principal da franquia Star Wars para chegar à conclusão de que o lançamento será um verdadeiro sucesso comercial e promete quebrar até mesmo os recordes de seus antecessores, o que indica que a Disney fechará, mais uma vez, o ano com chave de ouro.

Se até agora já ficou difícil imaginar produções grandes o bastante para concorrer contra essas, a coisa fica ainda mais preocupante quando levamos em consideração que este ano, finalmente pode ser concretizado o acordo comercial entre Disney e Fox, que garante à Disney o controle criativo de grande parte das produções da 21st Century Fox, incluindo até mesmo grandes clássicos do cinema e franquias grandes como Avatar, Alien e Predador.

Com a concretização do acordo, a Disney terá o controle de uma grande fatia do mercado cinematográfico, chegando ao ponto de ser praticamente insuperável, concorrendo apenas consigo mesma e lutando para conseguir lançar tantas produções por ano sem fazer com que uma não se sobreponha à outra. Tal maneira de negócio, faz com que a empresa se sinta segura o bastante para absorver até mesmo prejuízos de filmes que não se saíram bem nas bilheterias, assim como já aconteceu esse ano.

Mesmo com os insucessos de Han Solo: Uma História Star Wars, Uma Dobra no Tempo e Quebra Nozes e os Quatro Reinos, o saldo de lucros da Disney se manteve positivo e tais produções praticamente não afetaram a receita geral do estúdio em 2018, o que é um luxo que muitos outros estúdios não se permitem ter.

Fica difícil imaginar um estúdio que consiga bater de frente com a Disney no cenário atual, o que remete à uma previsão de diversos analistas da indústria, que afirmam que tudo está caminhando para uma diminuição dos estúdios, que acabarão sendo agregados em grandes conglomerados, assim como aconteceu com a Universal e a Warner Bros., que foram absorvidas pela Comcast e AT&T, respectivamente, gigantes da telecomunicação norte-americana que contam recursos suficientes para manter o padrão de produção dos estúdios.

Por hora, poucos estúdios resistem de forma independente, mas dada essa mudança da indústria, não é difícil pensar que eles se renderão ao novo sistema em breve. Se por um lado essa mudança garante a longevidade dos estúdios, por outro, ela indica uma diminuição de concorrência, já que, mais marcas estão sendo controladas por um único dono, que pode mandar e desmandar na indústria.

Ainda não sabemos como essa fusão entre Disney e Fox irá afetar o mercado cinematográfico e quais medidas os outros estúdios tomarão para se manter na luta, contudo, podemos concluir que será difícil superar a Disney, tanto em valores financeiros quanto no lançamento de produções com tanto valor afetivo.

Fique com imagens de Aladdin, próximo remake em live-action da Disney:

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