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[CRÍTICA] A Família Addams – Nova geração ganha um filme genérico e desinteressante!

- – Nova versão dessa família icônica chega aos cinemas!

Por Evandro Lira Uma das famílias mais excêntricas da cultura pop está de volta às telonas, e dessa vez em formato de animação. A Família Addams está em cartaz no cinema, mas será que o filme tem sucesso na hora de trazer este famoso clã para uma nova roupagem?

Confira nosso texto e descubra!

Ficha Técnica

 

Título: A Família Addams

 

Direção: Greg Tiernan, Conrad Vernon

 

Roteiro: Matt Lieberman, Conrad Vernon, Pamela Pettler e Erica Rivinoja

 

Ano: 2019

 

Data de lançamento: 31 de outubro (Brasil)

 

Duração: 87 minutos

O clã dos Addams é um dos mais tradicionais e famosos da cultura pop. Ao longo do século XX, eles se infiltraram no imaginário de diversas gerações, desde as tirinhas criadas por Charles Addams na década de 30, passando pela popular série de TV dos anos 60, até os dois filmes da década de 90. E hoje, mais uma geração será alcançada com a chegada de um filme em animação 3D.

Porém, servir para apresentar Os Addams a um novo público não deveria ser a única função do filme. Uma preocupação com o roteiro e até mesmo com o design dos personagens não faria nenhum mal à obra, que falha exatamente nesses dois aspectos fundamentais de um filme, sobretudo de um filme animado.

Na trama, Gomez (dublado originalmente por Oscar Isaac) e Mortícia (Charlize Theron) tem seu casamento interrompido por uma multidão de moradores intolerantes que os ameaçam com tochas e forcados. Desesperados, os recém-casados decidem fugir para um lugar onde possam viver em paz sem serem descobertos. Em Nova Jersey, eles encontram um manicômio abandonado no topo de uma montanha que soa como o local perfeito para que eles criem seus filhos.

Treze anos se passam, e os dois agora são pais de uma adolescente mórbida, a Wandinha (Chloë Grace Moretz), e o pequeno e lunático Feioso (Finn Wolfhard). A partir daí, o filme estabelece que quer se concentrar no arco dos dois jovens Addams, algo que é certamente um erro, pois deixa Gomez e Mortícia de escanteio, apenas à serviço das histórias dos filhos.

Histórias estas que também não exploram muito bem seus aparentes potenciais. Enquanto Wandinha começa a questionar seu modo de vida após conhecer Parker (Elsie Fisher), uma garota da vizinhança, seu irmão Feioso precisa treinar para o tradicional ritual de passagem da família, o Mazurka.

O arco de Wandinha, apesar de não ser lá muito original, mescla melhor ao plot central do filme, que envolve a mãe de sua nova amiga, uma apresentadora de TV chamada Margaux (Allison Janney), que é dona de um empreendimento imobiliário ambicioso. Nomeado de “Assimilação”, a mulher criou uma comunidade planejada próxima da mansão dos Addams, mas a presença daquela família esquisita pode vir a acabar atrapalhando seus planos, especialmente por causa da vista desagradável que os moradores do seu novo bairro teriam do alto da colina.

Sim, essa é a trama principal do filme, e você há de concordar que é completamente sem imaginação. Em prol de uma história nada interessante, o roteiro sacrifica o crescimento dos personagens, tornando os enredos individuais em coisas que ficam apenas pelo caminho. A luta de Feioso, por exemplo, para se preparar e dominar a Mazurka ocupa um tempo útil do filme que poderia estar sendo usado para outras histórias.

Claro, a ideia por trás dessas decisões certamente foi o público infantil, afinal parece mais fácil para elas se identificarem com as crianças da trama. No entanto, conectar-se com os pequenos é algo que outras animações já provaram que conseguem fazer muitíssimo bem sem subestimar seu público.

A importante mensagem deixada pelo filme está clara desde o início mas soa clichê e ligeiramente mal trabalhada. “Aceitar o diferente” é o mote do longa, e não há como negar a relevância do ensinamento, especialmente nos dias de hoje, porém, não são os personagens principais – ou seja, a família Addams – a sair mudados após toda a jornada. Eles terminam o filme exatamente como começaram, enquanto os personagens intolerantes do subúrbio é que passam por uma transformação ao final do filme. Justo, afinal são eles que precisam deixar de ser estúpidos, ok? Mas quando a trama central do filme não se ancora no crescimento de seus protagonistas, isso é só como uma falha muito básica.

Para além de um fraco roteiro, temos também um horroroso design de personagens, onde cada pessoa e criatura apresentada parecem ter saído de um universo diferente. A inspiração para aparência da Família Addams veio direto da fonte: o cartunista Charles Addams. Os personagens são praticamente iguais aos dos desenhos feito pelo artista na década de 30, mas que aqui não funcionam de maneira alguma. O visual parece feio e, numa época de cada vez gráficos mais impressionantes, dignos de uma animação barata.

Infelizmente, A Família Addams é um filme essencialmente genérico. Passa muito longe de ser atraente e não é nada emocionante. A animação se contenta com qualquer mínima atenção que pode atrair do seu público infantil e não almeja deixar uma marca sequer no espectador, que não precisará fazer nenhum esforço para esquecer essa nova versão dos Addams.

 

Fique com mais imagens do filme na nossa galeria:

A Família Addams esta em cartaz nos cinemas!

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sobre o autor Evandro Lira

Bacharel em Cinema e Audiovisual, potterhead das antiga, filho dos filhos do átomo, fã de mais coisas do que deveria, frequentemente falando sozinho no Twitter. Segue: @evandroslira