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Alienígenas, Folclore e Magia – Relembrando o Castelo mais querido da TV brasileira

Por Guilherme Souza

Se você cresceu nos anos 90, com certeza já deve ter ouvido falar de Castelo Rá-Tim-Bum, programa de entretenimento da TV Cultura que fez a alegria de muita gente de época e, até hoje, ainda encanta novas gerações.

Criado por Flávio de Souza e Cao Hamburguer, o programa nasceu como o derivado de Rá-Tim-Bum, outro programa da Cultura. Além do lado do entretenimento, o programa ainda tinha um lado educativo e lúdico, no qual a trama principal se ramificava em diversas esquetes com temas variados.

Na história, acompanhamos a vida de Nino (Cassio Scapin), um garoto de 300 anos de idade que é criado pelos tios. A família de feiticeiros vive em um suntuoso castelo no meio da cidade grande, porém certo dia, o castelo é descoberto por um grupo de crianças que acabam se tornando amigos de Nino e vivendo as mais divertidas aventuras.

Só a premissa básica da história já é o suficiente para nos maravilhar, contudo, a série conta com diversos outros elementos e personagens que deixam tudo ainda mais incrível. Como era de se esperar, tudo no castelo é mágico, incluindo até mesmo os objetos, tais como o relógio que fica no hall de entrada e o porteiro, que só libera a porta se responderem corretamente suas charadas. Como se não bastassem os feitiços, Victor (Sergio Mamberti), tio de Nino, é um habilidoso inventor, que cria itens fantásticos, tais como a pianola, que toca músicas de uma maneira bem diferente.

Com a tia Morgana (Rosi Campos) e sua gralha, Adelaide, aprendemos que as bruxas não precisam ser amedrontadoras e terríveis como diziam. Na verdade, a bruxa de quase 4000 anos de idade contava histórias incríveis e era dotada de uma inteligência ímpar.

Acompanhando os habitantes humanos do castelo, temos os incríveis animais falantes, o Gato Pintado, que vive como monitor da biblioteca e a Cobra Celeste, que vive na árvore que fica no centro do castelo. Fora eles, temos também o divertido ratinho azul, que nos ensina a tomar banho e a escovar os dentes de maneira bem divertida.

O Castelo Rá-Tim-Bum foi um verdadeiro fenômeno da década de 90, deixando muitas crianças desoladas quando seu encerramento foi anunciado. A paixão era tanta, que algumas crianças chegaram até mesmo a enviar cartas com dinheiro para que a TV Cultura continuasse produzindo a série.

O mais legal de tudo, é que, diferente de outras séries infantis, Castelo Rá-Tim-Bum aliava o entretenimento e o aprendizado em uma linguagem única, que cativavam não só as crianças como também os adultos. Era muito fácil que você se identificasse com as histórias apresentadas e quisesse ser amigo dos personagens principais.

Como se não bastasse toda essa grandiosidade narrativa, a série também contava com muitas músicas que ficaram imortalizadas em nossas mentes, porém todas elas tinham um propósito e remetiam diretamente à alguma esquete do programa. Seja para nos ensinar a importância de lavar as mãos ou nos mostrar como eram fabricados discos de vinil, era impossível não cantar junto.

Nem mesmo os esgotos do castelo ficavam fora de destaque. Sendo habitados pelas criaturas Mau e Godofredo, tínhamos momentos divertidos entre os dois, que por incrível que pareça, sempre tinham algo para nos ensinar.

O lado educativo do programa também fazia questão de incluir e apresentar a cultura brasileira para as crianças, através de personagens como a Caipora, protetora das selvas amazônicas que contava histórias indígenas, músicas de Carmen Miranda e diversos outros elementos que não eram comuns para essa faixa etária.

A abrangência do programa era tanta, que eles reservavam um espaço até mesmo para os alienígenas, com o carismático Etevaldo, cujo intérprete Wagner Bello faleceu antes que o seriado fosse concluído.

O sucesso da série foi tanto, que ela acabou até mesmo se transformando em um filme! Contando com uma proposta um pouco mais adulta e realista, o filme do castelo foi mais um grande marco na história da produção.

Anos mais tarde, o Castelo Rá-Tim-Bum mostrou sua força novamente, através de uma exposição no Museu da Imagem e do Som (MIS) em São Paulo. A exposição que contava com peças originais da série e recriação de cenários icônicos foi um sucesso estrondoso, sendo prorrogada diversas vezes e fazendo os funcionários do Museu trabalharem em dobro.

Se você algum dia já assistiu Castelo-Rá-Tim-Bum, com certeza terá algum momento especial para se recordar. A série leve e divertida tentava responder às perguntas de crianças com porquês infinitos, nos fez rir, nos assustou com o Lobisomen e nos deixou com vontade de entrar no quarto do Nino pela parede giratória.

Independente de quanto tempo passe, Castelo Rá-Tim-Bum ainda é incrível e merece ser lembrada para sempre. Todo o esforço das mais de 250 pessoas envolvidas na produção resultaram em um programa memorável, que apesar de antigo, ainda se mostra muito contemporâneo e válido.

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