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20 anos do legado de A Bruxa de Blair!

- – Um filme que fez a diferença!

Por Evandro Lira O ano de 1999 foi um dos mais frutíferos do cinema contemporâneo. Matrix, O Sexto Sentido, Clube da Luta, De Olhos Bem Fechados e Beleza Americana são alguns dos títulos que marcaram de maneira triunfal o final da década – e também do século. Mas é sobre uma outra estreia daquele ano que vamos nos desdobrar aqui. Embora o orçamento e a quantidade de estrelas dele não chegasse nem perto de qualquer um dos filmes mencionados, A Bruxa de Blair foi um dos mais importantes filmes desse período.

O filme dirigido por Eduardo Sánchez e Daniel Myrick colocou o “cinema found footage” no olho do mainstream e se utilizou de uma brilhante campanha de marketing boca-a-boca, rendendo muitos frutos à produção, especialmente uma bilheteria de 248,6 milhões de dólares comparada aos míseros 60 mil dólares de orçamento.

Na trama, são encontrada as fitas de um grupo de jovens cineastas desaparecidos, e o espectador então passa a acompanhar o conteúdo dessas gravações. O grupo havia viajado até uma pequena cidade em Maryland a fim de produzir um documentário sobre a lenda da Bruxa da Blair. E o resto você já sabe… 

Claro, não dá para afirmar que A Bruxa de Blair foi pioneiro quando trouxe a técnica do found footage. É provável que o progenitor do “gênero” seja um filme cult da década de 80 chamado Holocausto Canibal, uma produção altamente e compreensivelmente censurada por trazer cenas fortes de crueldade com animais. Algumas outras obras ao longo da década de 80 e 90 também se utilizaram de características documentais found footage, mas foi A Bruxa de Blair que fez o mundo parar e se render ao formato.

O sucesso do filme e consequentemente a abertura do caminho para outros found footage foi para além da sua execução, a maneira como o entorno conversou com a obra. A Bruxa de Blair contou com uma campanha de divulgação muito inteligente, e que não seria possível sem a internet, que no final da década de 90 já caminhava a passos confiantes. É provável aliás que esse tenha sido o primeiro filme a ter sua campanha de marketing quase que inteiramente na internet. O site do filme oferecia vários relatórios policiais, entrevistas em estilo noticiário, entre outras coisas que aguçaram a curiosidade do público.

Mas além disso, panfletos foram espalhados pedindo informações sobre os personagens desaparecidos. No Festival de Sundance, por exemplo, os cartazes chamaram atenção, e nenhum dos atores apareceu por lá. Eles na verdade nunca haviam feito aparições públicas antes.

A lenda da Bruxa de Blair também foi um fator que contribuiu. A história da trama era facilmente acreditável e os cineastas apostaram em vender o filme como um documento fiel e uma prova definitiva de que o mito era verdadeiro. Essas ações foram o suficiente para o boca-a-boca, que se espalhou e fez desses um dos maiores sucessos comerciais do cinema americano até hoje.

Mas não parou por aí. O impacto de A Bruxa de Blair pôde ser sentido em vários filmes que vieram nos anos seguintes. A franquia Atividade Paranormal é um dos casos mais evidentes, que também rendeu produções com estrondosos resultados nas bilheterias. V/H/S e REC são outros bons exemplos de filmes de terror que se utilizaram do formato.

Mas além do terror, A Bruxa de Blair colaborou com outros gêneros do cinema, como o mix de ficção científica e filme de monstros (Cloverfield), o thriller de viagem no tempo (Projeto Almanaque), a comédia teen (Projeto X) e o drama de adolescentes com superpoderes (Poder Sem Limites).

A Bruxa de Blair acabou por se tornar o maior exemplo de um filme que deu cara a um cinema de horror moderno e expandiu as possibilidades de expressão da nossa cultura audiovisual. E tudo isso começou com uma ideia simples, mas que estava longe de não ser ambiciosa.

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sobre o autor Evandro Lira

Bacharel em Cinema e Audiovisual, potterhead das antiga, filho dos filhos do átomo, fã de mais coisas do que deveria, frequentemente falando sozinho no Twitter. Segue: @evandroslira