The Gifted: 2×05 – A hipocrisia dos “heróis”!

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The Gifted: 2×05 – A hipocrisia dos “heróis”!

Por Chris Rantin

Eu sei, tá chato eu vir aqui todo episódio falar mal da Resistência Mutante, mas The Gifted não está facilitando meu trabalho. Eu realmente queria ser um pouco mais parcial e não ficar defendendo o Círculo Interno toda semana, mas não dá. Honestamente, não consigo mais engolir o loop em que os mutantes se encontram.

Estamos no quinto episódio da temporada e eles ainda estão reclamando que Andy e Lorna foram para o Clube do Inferno. Caitlin, que era uma personagem que eu gostava muito, está apenas surtada e repetitiva, atacando todo mundo para ignorar o fato de que foi uma escolha de Andy abandonar a resistência. Marcos continua lamentando seu coração partido e Lorna continua tendo uma ou duas falas, sem fazer nada de relevante ou ter algum tipo de destaque.

E isso cansa muito pois parece que eles não estão chegando em lugar algum. Parece que eles nunca evoluíram desde o final da primeira temporada. Outro argumento repetitivo é o “O Círculo Interno é mal, temos que acabar com eles.”

Veja bem, fica claro que o Círculo opera por um estilo mais agressivo e violento, sem medo de matar pessoas para conseguir trazer um mundo melhor para os mutantes. Eles não negam isso inclusive, mas é extremamente hipócrita ver Marcos criticar eles por terem acabado com um hospital psiquiátrico que torturava mutantes. Claro, eles não ofereceram um resgate apropriado para todo mundo, mas foram eles que tiveram coragem de fazer alguma coisa, ainda que estivesse com segundas intenções.

É muito provável que, caso Lorna não tivesse soltado todo mundo, a Resistência simplesmente fosse passar pelo antro de terror e violência gratuita contra os mutantes sem fazer nada. Afinal eles conheciam a instalação há muito tempo e, mesmo tendo uma integrante capaz de criar portais, nunca fizeram o menor esforço para resgatar pessoas que eles sabiam que eram inocentes e que estavam sofrendo.

Pior que isso foi ouvir Marcos falando sobre como o Círculo Interno é do mal para a mutante que eles libertaram. Todo o diálogo entre os dois é sofrível justamente por parecer que Marcos não se importa tanto assim com a guria – e por ele fazer um comentário estúpido.

Eles não podem ser tão maus assim, digo, foram eles que nos libertaram,” argumenta a moça, apenas para receber uma negativa do Eclipse, que ainda tem a cara de pau de perguntar “Por que você esteve presa naquele lugar horrível por anos?” Eu não sei Marcos, talvez fosse porque ela não tinha escolha e estava sendo presa contra a sua vontade, sabe, como todos os outros mutantes que o Círculo Interno libertou…

Para completar, mesmo que a razão para eles irem em busca de ajuda dos Morlocks fosse por não haver uma maneira de manter todos os foragidos junto da Resistência, como o próprio Eclipse argumenta no começo do episódio, ele ainda reclama o tempo todo que eles vivem em um esgoto fedido. O cara vai em busca de ajuda pra ficar criticando o lar improvisado dos mutantes que só foram morar nos esgotos por não ter uma outra opção. Eu não aguento mais.

Como se não bastassem esses momentos em que eu quis agredir Marcos, ainda temos a Blink argumentando com Erg que é errado roubar comida e que isso só vai fazer com que eles sejam ainda mais odiados pelos humanos. Claro, roubar nunca é legal, mas e quando essa é a única opção como é o caso dos Morlocks? Seria melhor que todos eles morressem de fome do que buscar comida (sem machucar ninguém no processo)?

O mais engraçado é que essa conversa com os dois vem depois de Clarisse levar quase vinte pessoas para Erg cuidar, pessoas que precisam de mantimentos para continuar vivas. Não é como se os Morlocks tivessem algum dinheiro dos X-Men – como é o caso da Resistência e a razão pela qual ela pode se dar ao luxo de não roubar.

Ainda sobre o grupo de mutantes subterrâneos, foi legal ver uma referência aos quadrinhos com a marca do M ser imposta aos novatos. Nos quadrinhos, Calisto fazia com que todos os integrantes dos Morlocks fossem desfigurados pelo vilão Masque (algo que nas HQs era bem pior do que ter apenas um M cravado na cara). A justificativa dada por Erg para a razão da marca é um pouco fraca, mas dá pra entender o que fez os novos mutantes aceitaram essa condição, afinal qualquer lugar é melhor do que ficar preso e torturado.

Agora, depois dessa dose de reclamação dos mocinhos, vamos falar sobre o vilão da série. Como o agente Turner pode se considerar um herói nessa história? Extremamente obcecado com os mutantes, ele diz seguir a lei e ter interesse apenas em proteger o mundo, mas vendo sua aliança com os Purificadores, grupo do qual ele praticamente se tornou líder é algo asqueroso. Pior que isso é ele ficar impassível quando viu um humano ser agredido.

O flashback desse episódio, mostrando o começo da carreira do agente, em um período em que ele ainda se incomodava com a violência gratuíta, de nada serve para humanizar um personagem que é, basicamente, apenas um hipócrita obcecado e maldito. Já passou da hora de Reeva cruzar com o vilão e dar um fim nele de uma vez por todas.

Em todo o episódio, talvez a única história teve relevância foi a de Andy, que encontrou uma namoradinha – a garota resgatada do hospital psiquiátrico que parece ser extremamente poderosa, podendo virar as coisas ao avesso. Eu fico me perguntando se em algum momento vamos ver ela usando essa habilidade em humanos, uma vez que o episódio deixou claro que a garota não é a mais pacífica ou heróica, destruindo uma viatura policial apenas pela diversão de fazer isso. Resta saber qual vai ser o seu papel nos grandes planos do Círculo Interno, mas espero que ela dure na série, já que seus poderes trazem possibilidades interessantes, e um reforço mais que necessário para o grupo.

Eu sei, depois de tudo que eu disse aqui, parece que eu tirei o dia apenas para reclamar da série, mas não é isso. É justamente por gostar tanto de The Gifted e entender o seu potencial, que fico incomodado com esse começo arrastado que não desenvolve a história de ninguém. A cada semana eu fico torcendo para que a história finalmente avance e que a Resistência mutante mude o disco e pare de ficar sugerindo que o Círculo Interno sequestrou seus amigos.

Mas o que vocês acharam do episódio?

Confiram abaixo nossa galeria sobre a série:

 

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sobre o autor Chris Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Instagram e Twitter: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"