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Por que Punho de Ferro merece uma segunda chance!

Por Gus Fiaux

Quando a Netflix revelou seu plano original de criar um núcleo próprio dentro do Universo Cinematográfico da Marvel, muitos fãs ficaram impressionados e animados. A estreia de séries como Demolidor e Jessica Jones só veio para adicionar mais lenha na fogueira, compondo personagens complexos em tramas que iam além da dimensão dos super-heróis, com temas mais sombrios e densos.

E então, vieram a segunda temporada de Demolidor e a primeira de Luke Cage. Aqui, a Netflix começou a mostrar seus problemas recorrentes: um ritmo que, às vezes, beirava o maçante, personagens descartados à toa e uma tendência a tornar tudo muito sombrio e realista mesmo quando isso não era necessário.

Mas se estava ruim, a coisa podia piorar. E piorou. Punho de Ferro estreou, em março de 2017.

Com produção de Scott Buck – o cara que desgraçou Dexter e, posteriormente, Inumanos – a série do herói pode até ter feito alguns fãs, mas no geral, deixou um gosto ruim na boca do público. Personagens rasos, tramas forçadas, ação de péssima qualidade e uma tendência desgraçada ao melodramático, parecia que a série não tinha salvação nenhuma.

A primeira temporada é, até hoje, considerada uma das piores coisas produzidas pela plataforma de streaming – e é fácil ver o porquê. Todos os atores parecem desconfortáveis, e Finn Jones passa a imagem de um péssimo Danny Rand, enquanto fala aproximadamente oitocentas vezes que é “o Punho de Ferro. Inimigo jurado do Tentáculo. Arma imortal de K‘un-Lun”.

No entanto, é preciso dizer que, mesmo com seus erros gritantes, Punho de Ferro tinha bastante potencial. Personagens como Davos e, principalmente, Colleen Wing ganharam o amor dos fãs, e conseguiram trazer subtramas aceitáveis para a série, por mais que o consenso geral não fosse positivo.

Mas desde então, o personagem acabou ganhando uma melhoria considerável. E o primeiro passo para isso foi Defensores, o grande encontro entre os heróis urbanos da Netflix. Ali, por mais que Jones ainda não estivesse totalmente confortável em seu papel, já vemos um Danny Rand mais próximo dos quadrinhos, brincalhão e com senso de humor afiado. As coisas só melhoravam quando o víamos ao lado de Luke Cage, alimentando nossas esperanças pelos Heróis de Aluguel.

Aliás, falando no Herói Blindado do Harlem, ele foi outra peça essencial para essa mudança. Ao fim de Defensores, vemos que o Punho de Ferro quer manter vivo o legado do Demolidor. Posteriormente, o herói apareceu na segunda temporada de Luke Cage, em uma participação extremamente elogiada pelos fãs.

Ali, já nascia um Danny Rand bem mais interessante e identificável pelo público, sem o dramalhão ou as tramas corporativas tomando conta de tudo. Tínhamos finalmente Finn Jones abraçando o lado cartunesco de seu personagem, e finalmente nos convencendo de que era um intérprete digno para o herói.

E aí veio a segunda temporada da série solo.

E por incrível que pareça, ela mudou da água para o vinho. A saída de Scott Buck – antes tarde do que nunca – e a entrada do produtor Raven Metzner trouxe um novo respiro para a série. Claro que ela não estava perfeita, já que muitos problemas ainda se mantiveram – como a encheção de linguiça, mesmo tendo episódios a menos, além da “decadência” de alguns personagens, como o próprio Davos, que tinha sido tão elogiado na primeira.

Essencialmente, a série soube encontrar uma história, mas ainda faltava personalidade. As cenas em K’un-Lun não passavam a grandiosidade do lugar e nem a aura mística que perpassa as histórias do Punho de Ferro. Enquanto a trama estava sendo muito bem produzida na base, a série se passava como qualquer programa genérico de super-heróis.

Mas isso ainda a tornava mil anos luz à frente de seu ano inicial. A segunda temporada de Punho de Ferro soube aproveitar suas maiores forças, trabalhando Colleen Wing como uma co-protagonista em vez de coadjuvante, além de introduzir uma vilã que com certeza precisa retornar nesse universo: a Mary Tifóide, inimiga clássica do Demolidor nas HQs.

E por mais que a série não se aprofundasse tanto no misticismo ou nos elementos fantásticos de K’un-Lun e das Sete Cidades Celestiais, a semente já havia sido plantada, com alguns elementos importantes sendo introduzidos aos poucos, como a Rainha Pirata da Baía Pinghai e Orson Randall, o Punho de Ferro que veio antes de Danny Rand.

Mas agora, tudo isso pode estar indo por água abaixo, já que a Marvel e a Netflix anunciaram o cancelamento da série.

Particularmente falando, sempre fui grande fã do Punho de Ferro nos quadrinhos. O herói sempre me agradou pela mistura da cultura oriental com os super-heróis ocidentais, e pelo teor místico de suas histórias, ainda que recheadas de artes marciais. Assim sendo, é difícil pensar em algo que tenha quebrado mais a minha cara dentro do Universo Cinematográfico da Marvel do que a primeira temporada da série – que ainda odeio com gosto.

No entanto, Punho de Ferro finalmente tinha encontrado seu caminho. Apesar das críticas negativas, a série havia melhorado um bocado em seu segundo ano, e tinha tanto potencial para ser explorado em temporadas futuras, ainda mais com tramas tão interessantes deixadas em aberto.

A Marvel agora tem a chance de resgatar a série – e inclusive, poderia incorporá-la ao seu serviço de streaming – o que seria ótimo, já que o herói se beneficiaria de um tom menos “sombrio” – ou então, em algum futuro próximo, inseri-lo em uma série dos Heróis de Aluguel junto com Luke Cage – e particularmente, eu ficaria bem mais feliz com essa ideia.

Há também a possibilidade de continuar a explorá-lo em outros crossovers. No entanto, o importante é que Danny Rand finalmente trilhou o caminho do dragão e se transformou no Punho de Ferro que queríamos – e ele não pode ser deixado à deriva agora. De séries com final em aberto dentro do UCM, já nos basta Agente Carter.

 

Na galeria a seguir, fique com imagens da segunda temporada da série do herói!

As duas temporadas de Punho de Ferro estão disponíveis na Netflix.

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux