O que esperar do filme dos Novos Deuses?

Capa da Publicação

O que esperar do filme dos Novos Deuses?

Por Felipe Vinha

Se você acompanha a Legião dos Heróis com alguma regularidade, deve ter visto que, recentemente, publicamos um artigo para explicar um pouco mais sobre os Novos Deuses. Afinal, quem são eles? Onde vivem? Quais são seus objetivos? Detalhamos estes e outros pontos neste link aqui. Agora é hora de olhar para a frente e ver onde eles podem chegar. Afinal, o futuro filme dos personagens tem chances de ser bom? O que ele pode representar? São muitas perguntas, mas as respostas são simples.

 

 

O primeiro ponto: Ava DuVernay

 

Pode parecer clichê começar pelo ponto mais básico da empolgação com o filme dos Novos Deuses, que é sua diretora. Apesar de não ser nova no mercado, seu nome não foi muito ouvido por aí, apesar de já ter sido premiada e reconhecida por grandes produções, como Selma: Uma Luta Pela Igualdade, de 2014, e A 13ª Emenda, de 2016. Ava DuVernay é um dos nomes mais importantes no circuito do cinema norte-americano do momento.

Ainda que as críticas de Uma Dobra no Tempo, seu primeiro filme de fantasia e também sua estreia com a Disney, não tenham sido totalmente positivas, Ava ainda tem “nome limpo no cartório”. Recentemente, em uma entrevista, a diretora expôs que não tinha vontade de dirigir um longa-metragem de Star Wars, apesar de estar cotada para tal missão, por algum motivo misterioso. Dias depois, ela foi apresentada como a responsável pelo longa dos Novos Deuses. Boa vontade é o que não falta na moça, principalmente pela suposta “troca” que fez em relação ao universo de George Lucas.

Mas “boa vontade” não faz verão, nós sabemos. A DC pode seguir um caminho acertado que a Marvel seguiu com filmes como, por exemplo, Pantera Negra. Assim como Ava DuVernay, Ryan Coogler era um diretor conhecido por ter filmes dramáticos em seu currículo. Da mesma forma que a concorrência, a Warner pode ter optado por apostar em uma diretora que tem boa experiência com produções mais “pé no chão”, para trazer uma visão digna de algo como os Novos Deuses.

Ainda é cedo para dizer de DuVernay vai se sair bem na missão. O filme ainda está longe de estrear e nem mesmo nomes para o elenco foram escolhidos – ou sequer cotados. Não sabemos nem quais personagens estão envolvidos na história, fora os óbvios. Neste ponto, nos resta olhar para trás, ver o currículo da moça, e torcer pelo melhor.

 

 

O segundo ponto: o efeito Guardiões da Galáxia

 

Vocês vão me perdoar por, talvez, provocar uma pequena “briga de torcida” aqui ao comparar Novos Deuses com Guardiões da Galáxia. Mas antes de jogar pedras, entenda meu ponto: o filme dos Guardiões nasceu da exata mesma forma. Um diretor foi escolhido, sem qualquer detalhe ou outro nome definido, para fazer um longa-metragem inspirado por personagens que quase ninguém havia ouvido falar.

Em alguns locais da Internet, há alguns anos, dizer que os Guardiões da Galáxia teriam um filme era motivo de piadas, por mais que a Marvel já tivesse confirmado a intenção. Afinal eles eram um grupo “Lado C” da editora, menos conhecidos do que os Vingadores eram, antes do início do famigerado Universo Cinematográfico. E, assim como os Novos Deuses, eles representam o lado cósmico da coisa toda.

Nossa fascinação pelo espaço sempre foi certeira. Não é por um acaso que filmes – bem trabalhados – com esta temática façam algum sucesso, certo, Star Wars e Star Trek? O desconhecido sempre nos fascinou. Por mais que heróis com super-poderes, velocidade acelerada ou com a capacidade de projetar raios pelas mãos também soem bastante irreais, nos filmes eles ainda são representados como… Humanos, ou algo bem parecido com isso.

O espaço, como dizia o Capitão Kirk, é a fronteira final. Ele nos dá… Espaço (desculpa!) para pensar em quase tudo, sem amarras ou limites. Ainda não sabemos sua imensidão completa, por isso mesmo não nos importamos em elucubrar sobre o que ele nos reserva. Então o conceito de, literalmente, deuses vivendo em planetas vizinhos em pleno cosmo é algo que dá vazão para uma aventura digna das maiores obras de ficção. Entende? Guardiões da Galáxia está aí para provar que pode ser feito. E bem feito.

 

 

O terceiro ponto: personagens

 

Você pode não gostar da DC Comics ou de seus personagens, mas não podemos negar que há heróis e vilões que figuram entre os mais famosos de todos os tempos. Com os Novos Deuses isso pode não ser exatamente verdade. Porém, graças a desenhos animados passados, a maioria dos fãs sabe quem são alguns dos figurões de Apokolips e Nova Gênese. O Senhor Milagre e a Grande Barda, por exemplo, são ótimos exemplos de “meio que todo mundo conhece”.

Por falar em Senhor Milagre, a DC vem apostando forte nele. Lançando um título solo por um escritor renomado – Tom King – que tem sido ainda mais elogiado com a obra em questão. O personagem em si é muito interessante: um mestre escapista, que ao mesmo tempo tem DNA alienígena. Isso sem falar nos heróis e vilões que “vêm no pacote”, junto com ele.

A aposta no Senhor Milagre não é gratuita. De alguns anos para a cá a DC tem feito de tudo para manter os Novos Deuses em voga em seus quadrinhos, mesmo sem série própria. A Nova Gênese tem aparecido em revistas da Mulher-Maravilha (Novos 52) e na saga Terra-2 (também Novos 52), só para citar exemplos nos últimos anos. Isso, é claro, somando ainda Darkseid e seus asseclas, que estão sempre presentes.

Manter estes personagens vivos é uma missão constante da DC, ou de qualquer editora que não quer esquecer seu próprio panteão. E disso ninguém pode culpar a editora – é o que tem ocorrido, de forma regular.

Melhor ainda: que tal uma mistura de deuses? Em saga que saiu no Brasil não faz muito tempo, vemos a própria Liga da Justiça se tornar uma “Nova Versão dos Novos Deuses”, com poderes divinos e infinitos. Entre eles tínhamos o Shazam, que já é um herói com envolvimento com divindades. O filme do vermelhão está prestes a sair, e se DuVernay quiser fazer uma ligação?

Oportunidades existem. E muitas. Os Novos Deuses são personagens riquíssimos, com um universo quase infinito de ideias, e que nas mãos de um nome criativo podem render uma boa história. É, sim, exagero de nossa parte dizer que o filme pode “salvar o universo DC nos cinemas”, e talvez seja melhor baixar a expectativa. Afinal, foi justamente assim que os Guardiões ganharam nosso coração na tela grande. Mas, hey, não custa nada sonhar.

Enquanto o filme não chega, fique com imagens de Liga da Justiça:

Imagem de perfil
sobre o autor Felipe Vinha

Já tentei salvar o mundo de uma invasão alienígena, mas hoje me contento em ser jornalista. Gosto de quadrinhos e suas adaptações na TV ou cinema, animes, tokusatsu, games (de luta principalmente) e tecnologia. Vamos trocar uma ideia no Twitter @felipevinha