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Agentes da S.H.I.E.L.D. – Uma Longa Jornada!

Por Gus Fiaux

Então, é segunda-feira e sei o que todos vocês estão esperando. Na sexta passada, Agentes da S.H.I.E.L.D. voltou com o décimo primeiro episódio da temporada, e aqui vocês estão à procura de uma review ou de comentários elogiosos para o capítulo que realmente foi sensacional. Mas não é bem isso o que eu vim fazer. Considerando que, nesta semana, teremos o lançamento do 100º episódio, eu resolvi traçar uma pequena jornada falando da série – e como ela foi importante para mim.

Agentes da S.H.I.E.L.D. foi a primeira série de super-heróis que acompanhei desde sua concepção. Desde que foi anunciada, trazendo de volta o Agente Coulson e introduzindo uma série de personagens originais, eu já estava curioso com como seria a primeira empreitada televisiva do Universo Cinematográfico da Marvel, cuja tendência era só crescer mais e mais devido ao sucesso de Os Vingadores.

De início, confesso que fiquei intrigado, mas não dava muita atenção. Parte disso vinha do meu preconceito com personagens originais de fora dos quadrinhos e minha ideia mal-concebida de que a série precisava de “heróis de verdade”, como – pelo menos – a Viúva Negra e o Gavião Arqueiro.

No entanto, ainda assim, me forcei a ver o piloto, que foi dirigido por ninguém menos que o próprio Joss Whedon. E devo confessar que, mesmo com diversas pessoas criticando absurdamente o episódio de estreia da série, eu sempre achei um excelente começo. É óbvio, fica nítida a falta de química entre os atores e como alguns – como Chloe Bennet, que ainda estava aprendendo a ser uma das melhores atrizes da série – ainda eram inseguros com seus personagens.

Os episódios seguintes foram o que deixaram a audiência atingir seu mínimo. Muitos fãs largaram a série devido a uma trama confusa, alastrada em diversos episódios procedurais, que não tinham tanto peso e impacto quanto se achava que teria. Até mesmo as conexões entre a série e os filmes, como o episódio tie-in de Thor: O Mundo Sombrio, eram extremamente decepcionantes e mal planejados.

Ainda assim, devo confessar que, ao fazer uma maratona de todo o Universo Cinematográfico da Marvel no ano passado – incluindo as séries –, o começo de Agentes da S.H.I.E.L.D. tem lá seu charme, e que (não me matem por isso, por favor) ainda consigo preferir a primeira temporada da série em relação à segunda.

Tudo mudou com “Turn, Turn, Turn”, o décimo sétimo episódio da primeira temporada. Ao conectar-se com Capitão América: O Soldado Invernal, a série finalmente conseguiu abraçar a rota dos quadrinhos, apresentando a HIDRA como principais vilões da trama, e nos presenteando com a melhor reviravolta de séries de super-heróis da história: a de que Grant Ward, um dos melhores agentes da S.H.I.E.L.D., não passava de um infiltrado da HIDRA.

Foi nesse exato momento que eu soube que seria recompensado por não ter largado a série – ainda que esse nunca fosse meu intuito, já que realmente me divertia até com os piores episódios do começo. Quando o primeiro ano de exibição chegou ao fim, com direito à uma participação especial de Nick Fury e a equipe derrotando o Clarividente e Ward, eu me senti aliviado pelo potencial que a série finalmente estava desenvolvendo.

O segundo ano, como já mencionei anteriormente, foi onde as coisas perderam a mão, em minha opinião completamente pessoal e nem um pouco humilde. Embora tenha sido muito satisfatório ver a evolução desses personagens – sobretudo Fitz e Simmons, que atualmente são meu casal favorito de qualquer mídia de super-heróis – e a maior inserção no universo das HQs, com os Inumanos, Harpia e diversos outros personagens arrancados diretamente dos paineis, ainda assim foi uma temporada difícil de ser acompanhada.

Acho que o principal “problema” foi a completa extinção dos episódios procedurais. Claro que uma temporada que desenvolve uma narrativa desse porte não pode ser composta apenas de “casos da semana” isolados, mas a ausência completa desses casinhos fez com que boa parte da segunda temporada – especialmente a segunda metade fosse difícil de assistir. Mas minha Skye finalmente tinha virado Tremor, então bola para frente.

(Aliás, até hoje eu não consigo não chamar Daisy de Skye. Muitas vezes, nas reviews semanais da série, eu preciso reler o texto inteiro para me certificar de que não a chamei de Skye.)

O terceiro ano da série já veio de uma forma mais agressiva, o que me deixou muito satisfeito. A presença de personagens das HQs como Chibata só tornou a trama ainda mais instigante. E embora muita coisa existisse para nos preocupar e nos fazer roer as unhas, eu só pensava em uma coisa: o que aconteceu com minha Simmons?

Nunca pensei que fosse sofrer tanto com um casal fictício, mas FitzSimmons se supera. Desde a primeira temporada, eles nunca têm um descanso, e ainda está faltando uma grande tragédia na quinta temporada para abalar a vida desses dois – e eu tenho certeza de que isso acontecerá no centésimo episódio.

A busca por Simmons foi, até então, meu arco favorito da série. A estreia de “4,722 Hours”, episódio que contaria o que havia acontecido com a agente nos seis meses que estava fora, foi uma que eu fiz questão de ver no próprio livestream, enquanto ainda nem sabia falar inglês direito. No meio de palavras esquisitas e uma excelente atuação de Elizabeth Henstridge – que eu realmente considero altamente subestimada fora da série –, eu finalmente consegui chorar com um personagem do Universo Cinematográfico da Marvel.

E nisso, a série só ia subindo em meu conceito. Na época, já havia (após uma breve pausa) voltado a trabalhar na Legião dos Heróis, e era reconfortante ver, a cada matéria sobre a série, pessoas – que inclusive certamente vão comentar esse texto nada imparcial – dizendo umas às outras o quanto valia a pena dar uma nova chance à série. E nem digo isso como uma forma de trazer mais audiência. A esperança era compartilhar essa experiência, que ainda que fosse dolorosa, às vezes, mostrava personagens humanos e reais.

Foi apenas na terceira temporada que me dei conta disso, quando já torcia a cada episódio pela união de Fitz e Simmons, ou quando queria ver Tremor cada vez mais treinada e arrebentando a fuça de quem merecia. Ou quando finalmente percebi o quanto Melinda May é muito mais que apenas uma “mulher letal”, e sua personagem é cheia de camadas e pontos de impacto. (Ou até mesmo quando estava babando pelos músculos sensuais de Hunter.)

Enquanto isso, o Agente Coulson permanecia sendo um dos meus favoritos. Embora não tenha gostado inicialmente do personagem, seja em Homem de Ferro e principalmente em Thor, ele logo vinha mostrando um outro muito distinto dos filmes. O lado mais parecido com o Coulson de Os Vingadores, onde ele está disposto a tomar uma lança alienígena no peito – ou ter sua mão arrancada – apenas pelo que acreditava ser certo.

Nesse ponto, a terceira temporada permanece no meu coração como uma das minhas favoritas – ainda que não a julgue como a melhor da série, de forma geral. O nível de comprometimento emocional que passamos a ter com esses personagens atingiu um patamar devidamente superior, e realmente doeu ver certas coisas acontecendo, como Simmons se apaixonando – e depois perdendo Will –, Hunter e Bobbi se despedindo da equipe, ou Grant Ward morrendo e retornando como o demoníaco Hive.

Nada curiosamente, os fãs (eu incluso) sempre reclamam da aparição excessiva do vilão, mesmo depois de morto. Ainda assim, gosto tanto do personagem, que apesar de reclamar, torço para que ele volte de forma definitiva para a série. E por isso, estou ansiosíssimo para o episódio 100, onde ele deve aparecer mais uma vez como Hive.

Foi uma temporada intensa – principalmente pelos constantes rumores de que seria a última da série, e não teria renovação. O final, que nos mostrou Lincoln se sacrificando para matar Hive e salvar os agentes foi um dos que me deixou com o coração na boca – e olha que eu, pessoalmente, nunca gostei tanto do Inumano.

Felizmente, uma quarta temporada foi anunciada, e eu sabia que coisa boa viria pelo caminho. Mais uma vez, não estava errado. O quarto ano da série trouxe uma nova e interessante mudança: agora, os 22 episódios seriam dividos em três arcos, que poderiam muito bem servir como “mini-temporadas” dentro de uma temporada maior.

E logo de início, veio a revelação: Motoqueiro Fantasma.

Lembro-me da San Diego Comic-Con de 2016, onde eles finalmente anunciaram o personagem. Tudo começou com um pôster promocional que mostrava uma corrente pegando fogo. Eu, inocente, achava que se referia a outro personagem da série – o Infernal, que aparecera na terceira temporada e já estava confirmado na quarta.

Minha surpresa foi tão grande com o anúncio que eu realmente pensei que estava sonhando. Ainda mais pelo fato de que tinham apresentado Robbie Reyes, um personagem muito mais recente, e que pilota um carro em vez de uma moto. Mas ainda assim, continuei animado.

E a série começou, de uma forma muito mais intensa do que já tinha visto. O primeiro episódio da quarta temporada é tão intrigante e violento que conseguiu dar um up na audiência, trazendo um público animado para ver outra encarnação do Espírito da Vingança. E lá estava eu entre eles, também vendo a série em um livestream em tempo real – mas dessa vez, já dominava um pouco mais o idioma.

Ainda assim, me dou o direito de achar o começo da quarta temporada lento e chato. A inserção de elementos místicos paralela à estreia de Doutor Estranho era muito bem-vinda, mas eu não conseguia gostar de Eli Morrow ou da trama absurda envolvendo fantasmas. Dali, só realmente me manteve ligado a presença do Motoqueiro Fantasma e a participação dos heróis – que estavam melhores do que nunca.

(Principalmente agora que FitzSimmons finalmente eram um casal.)

Mas aí veio AIDA.

No segundo arco da temporada, a série passou a mergulhar nos Modelos de Vida Artificiais, algo que sempre esteve presente na mitologia da S.H.I.E.L.D. nos quadrinhos – especialmente com Nick Fury. E desde que a criatura feita pelo Dr. Radcliffe com ajuda de Fitz passou a ter mais destaque, eu vi a série crescendo episódio após episódio, sem um espaço para respiro ou para um capítulo “mais ou menos”.

AIDA se mantém, até hoje, como minha vilã favorita do Universo Cinematográfico da Marvel. Trazendo um conflito interno tão poderoso e original (ainda que derivado de personagens de Blade Runner ou Battlestar Galactica), a personagem tinha uma potência frenética, especialmente nas mãos da atriz Mallory Jansen – que ninguém achava ser boa antes de sua participação na série.

A personagem conseguiu crescer de uma forma tão intensa nesse segundo ato que todos sabíamos que ela só seria detida no final da temporada. E então veio Agentes da HIDRA. O terceiro arco da temporada é o que eu considero, até o momento, o pico da série. Apresentando uma “realidade” alternativa, completamente virtual, onde a HIDRA superou a S.H.I.E.L.D. e domina o mundo, a série começou a abraçar o potencial de seus atores, colocando-os para fazer papeis muito diferentes do que já estavam acostumados.

Creio que desde o final da primeira temporada, nunca sofri tanto com FitzSimmons como aqui, com eles separados e com Simmons vendo Fitz cometer atrocidades ao lado de AIDA – agora, renomeada como Madame Hidra.

E se a trama veio para alguma coisa, certamente foi para criarmos laços com personagens que jamais achamos que criaríamos. Jeffrey Mace – o Patriota – ganhou um espaço inimaginável, onde pudemos ver um herói nascer das cinzas, ao mesmo tempo em que ganhava um espaço merecido (ainda que lutando em um mundo não-real). Mack, que sempre foi o brutamontes da equipe, ganhou uma trama emocional tão tocante que foi muito fácil simpatizar com ele.

Lembro que, na época do lançamento, estava passando por uma das piores fases da minha vida, lidando com depressão e problemas pessoais intensos. Ainda assim, a série se tornou um conforto para mim. Eu queria estar vivo, semana após semana, apenas para saber se os agentes conseguiriam deter AIDA, se Simmons e Fitz ficariam juntos e se o Framework seria destruído de uma vez por todas.

No fim das contas, isso realmente aconteceu, e me fez ficar aliviado e grato por todo o tempo gasto na série.

Assim sendo, veio o fim da temporada, e o começo da quinta, que se passaria no espaço.

Até agora, devo confessar que não estou gostando tanto quanto achei que gostaria. Óbvio que não está sendo nenhuma catástrofe como Punho de Ferro ou Inumanos, mas se a quarta temporada trouxe um nível de qualidade superior ao de todas as outras séries de super-heróis da atualidade, a quinta trouxe uma pausa à isso, conforme a história vai sendo construída.

Mas isso não significa que não continuo torcendo ou amando esses personagens. Simmons me deixou aflito, conforme era utilizada como serva do nojento Kasius. Tremor e o resto da equipe faziam parte de tramas peculiares, ainda que os antagonistas e personagens secundários não fossem tão interessantes quanto eles.

Claro que “Rewind” veio para, de forma bem abrupta, mudar isso. Assim como “4,722 Hours” foi para Simmons, o episódio mostrou tudo que aconteceu com Fitz desde que a temporada começou. E foi uma grande surpresa vê-lo em uma história fazendo referências a todos os outros anos anteriores da série. Me senti recompensado, principalmente depois da grande maratona da série, como mencionei anteriormente. Iain de Caestecker continua sendo um dos atores mais brilhantes da série, e o episódio ilustra isso com facilidade. Além disso, foi um respiro vê-lo ao lado do lindo do Hunter.

Agora, aqui estamos. A equipe já conseguiu fugir do futuro e voltou ao presente – onde precisarão impedir que o futuro (ou seu passado) se concretize. O 99º episódio, exibido na sexta-feira passada, finalmente mostrou à quinta temporada do que a série é capaz. Ainda que me irrite a constante falta de conexões com o Universo Cinematográfico da Marvel, a série mantém-se suprema em sua qualidade e seus atributos.

Olhando para o passado, eu vejo toda a jornada desses heróis, suas vidas, desafios e sua evolução, conforme eles chegam a um ponto histórico. É possível que a quinta temporada seja a última da série, mas já sei que Agentes da S.H.I.E.L.D. atingiu aquilo que deveria ser. Às vésperas de seu centésimo episódio, ela mantém-se firme e forte, e apesar dos vacilos, manteve-se viva.

Se você abandonou a série no começo e caiu aqui de paraquedas, realmente deveria dar mais uma chance. Afinal, essa é a minha história, e não é todo dia que um garoto fã de super-heróis e d’Os Vingadores se encanta por uma equipe de espiões secretos, se apaixona por um casal de cientistas, torce pela Inumana sísmica e está firme na ideia de que Phil Coulson fez um excelente trabalho até aqui, reunindo todos esses personagens e criando mais do que agentes, mas uma família.

 

Abaixo, veja mais imagens do próximo (e histórico) episódio da série:

Agentes da S.H.I.E.L.D. vai ao ar às sextas-feiras, na ABC.

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux