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O Justiceiro – Produtor defende o uso da violência na série!

Por Gus Fiaux

Lançada na última sexta-feira, na Netflix, O Justiceiro já tem se provado mais uma sólida parceria entre a Marvel e a Netflix, lançando a primeira aventura individual do vigilante apresentado na segunda temporada de Demolidor. Aqui, vemos Frank Castle seguindo sua cruzada pessoal, enquanto precisa enfrentar uma conspiração criminosa que vai muito além de apenas bandidos de rua.

Munido como o Justiceiro, Castle não mede esforços para impedir seus inimigos. Ele é considerado um anti-herói por seus métodos intensamente violentos e por seu código ético distorcido. Por conta disso, em uma entrevista à Vulture, o produtor da série, Steve Lightfoot deu novos detalhes sobre a representação da série, e como a violência é importante para construir o personagem:

“Não era necessariamente um caso de necessidade de consulta. Trabalhamos em estreita colaboração com a Marvel e a Netflix em todos os aspectos da série. O primeiro critério para mim foi o que eles fizeram com a segunda temporada de Demolidor. Eu tomei isso como meu parâmetro em termos de ação. Nós tomamos isso como nossa linha e acho que a mantivemos relativamente constante ao longo da série. Como você disse, acho que o que foi a chave para mim é dizer que você não pode fazer o Justiceiro em uma série que não seja violenta. Mas acho que sempre mostramos o custo dessa violência. Fazendo com que ela seja real o suficiente para que machuque e não seja irreverente. Eu acho, em segundo lugar, que também deve haver um custo para Frank. Ele não fez essas coisas e depois simplesmente sai feliz. Toda situação em que o colocamos teve um preço, tanto física como emocionalmente.

Uma das coisas que mais deixou os fãs curiosos na série foram as diversas cenas onde Frank tinha alucinações com a morte de sua esposa. Reforçando o óbvio, Lightfoot falou um pouco mais sobre o que essas cenas significam e qual a função delas na construção do Justiceiro:

“Na primeira cena, fica claro que não foi daquela maneira que ela morreu. É um sonho. Cada versão é diferente. A ideia é que começamos com uma imagem onde outra pessoa matou sua esposa e o que deveria ser claro à medida que esses sonhos progridem – e isso é um pequeno spoiler – é que, em essência, a culpa é de Frank. A imagem final mostra ele se vendo atirando em sua esposa. Muito do que está controlando sua raiva e seu sofrimento é, no fundo, ele saber que isso aconteceu por causa de suas próprias ações. Não foi gratuito, era realmente para construir e mostrar ao público que ele era um homem que se culpava mais do que qualquer outra pessoa pelo que havia ocorrido. Essa auto-aversão é o que o está consumindo.”

O produtor continuou, dando detalhes a respeito da forma como a série tenta abordar o trauma dos veteranos e como Frank se relaciona com isso, principalmente por ser ex-militar e vigilante ilícito:

“Para mim, era principalmente sobre servir o personagem de Frank. Era sobre permanecer fiel ao que ele é nas HQs, que é um personagem difícil e complexo em termos de suas ações e suas motivações. Era sobre ser fiel a isso e não ter com medo de perder público, enquanto esperávamos ganhá-lo ao sentirem empatia por Frank. Essa foi minha principal preocupação. Certamente, para os militares e aqueles caras que servem para nos proteger, acho que você tem que ser respeitoso. Mas, ao mesmo tempo, apenas pela natureza do personagem, muitas de suas ações são criminosas. É interessante ele ter respeito pela polícia ao mesmo tempo em que é um fora-da-lei.”

Para finalizar sua entrevista, Lightfoot ainda falou um pouco sobre como a série aborda questões referentes aos militares, e como tenta conciliar diversas ideologias políticas e sociais para que o público possa decidir o que está certo ou não. De acordo com ele, as cenas onde isso ficava mais evidente eram as voltadas para o grupo de terapia dos veteranos de guerra:

“Não creio que seja o meu local de fala, mas se trata de um corpo de personagens onde você vê todos os lados e questões, de forma que todos recebam uma voz para que o público possa decidir. O debate está lá e eles podem decidir de que lado eles estão. Eu senti, por um lado, nesses círculos, você tem alguém como Curtis, que comanda o grupo, e então você tem alguém que é extremo oposto, o outro lado de tais pontos de vista. Esses caras estão lá fora, e eles estão lá em grande número. Dada a natureza da série, precisamos disso para fazer parte da discussão.”

Abaixo, confira as imagens e cartazes da série:

A primeira temporada de O Justiceiro já está disponível na Netflix.

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux