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Fugitivos: 1×07 – Reunião escolar!

Por Gus Fiaux

Em apenas sete episódios – de uma temporada que terá só mais três –, Fugitivos já nos ofereceu um pouco de tudo. Já nos divertimos, emocionamos, choramos, gritamos e ficamos apreensivos pelo que aconteceria com esses adolescentes. Já tivemos amor por eles, e ódio também. Começamos detestando seus pais e agora, ficamos cada vez mais compadecidos deles. E o sétimo episódio da temporada, intitulado “Refraction”, veio para trazer uma essência extremamente necessária para a história, arrancada diretamente das páginas da HQ.

A série já havia se provado como uma excelente história juvenil na tangente do Universo Cinematográfico da Marvel. Mesmo contando histórias sobre um grupo de adolescentes, Fugitivos é realista o suficiente para não parecer careta ou infantilizada demais, e consegue ser mais adulta e madura que muita série voltada para personagens mais velhos.

Nesse episódio, no entanto, a série dá um passo além, aprofundando ainda mais a relação entre essas crianças e seus pais, e todas as conexões possíveis entre os mais diferentes personagens. E isso é feito de uma forma tão empolgante e envolvente que consegue até mesmo nos fazer esquecer de como os dois episódios anteriores foram relativamente decepcionantes.

A trama segue de perto o que aconteceu no último episódio, e é levemente mais focada no desenvolvimento dos pais dos heróis. Victor Stein revelou ao mundo a traição de sua esposa, Janet, com Robert Minoru, enquanto Tina também precisa se recuperar do choque causado por essa revelação. Por outro lado, Frank Dean é – literalmente – iluminado pelo seu encontro com o misterioso Jonah, o que acaba resultando uma reação inesperada em sua esposa, Leslie.

Entre os Fugitivos – que sim, ainda não fugiram –, a situação está cada vez mais caótica. Molly está pagando o preço por ter dado com a língua nos dentes, enquanto Alex continua desconfiando fortemente de seus pais e se esquivando das perguntas incisivas de Nico. A relação entre Chase e seu pai se torna… complicada.

E como desgraça pouca é besteira, o grupo acaba sofrendo um revés pior do que tudo já visto até o momento: Seus pais vão comparecer a uma grande reunião escolar. Há algo pior do que vergonha parental no ensino médio?

E é assim que as coisas ficam interessantes. Ao reunir todos os personagens no mesmo lugar, a série consegue trabalhar, de uma forma muito eficiente, a relação entre todas essas figuras, e não apenas em suas famílias. É muito bonito ver o apoio que Leslie dá a Tina, enquanto Robert precisa conversar com Janet sobre o seu relacionamento. Por outro lado, os Wilder mais uma vez ameaçam os Yorkes, e Victor continua se provando o pai mais insuportável e babaca.

Ao mesmo tempo, os filhos não são deixados de fora. Molly sofre ao se isolar do grupo, e compartilha uma cena realmente doce e bonita com Karolina. Alex e Nico aprofundam uma relação que, apesar do viés romântico, pode conter uma amizade muito tocante.

E, ao se aprofundar nessa relação, o episódio também sabe conciliar momentos mais íntimos com a narrativa desenfreada. Acho que esse, até agora, é o episódio mais chocante e surpreendente da série, trazendo algumas reviravoltas de várias escalas, desde as menores, que servem para dar novas motivações aos personagens, a uma verdadeiramente gigante – que envolve a morte de um dos pais –, que por sua vez, serve para mudar o rumo de toda a trama.

No que diz respeito à realização, Fugitivos nunca esteve tão perfeita. É um episódio em que mal vemos uso de poderes – apenas os olhos laranjas de Molly e as Fistigonas de Chase –, e isso deixa espaço para um uso mais descentralizado dos recursos, já que não há tanta necessidade de efeitos visuais.

A trilha sonora está excepcional, e a fotografia da série nunca esteve tão bonita. A qualidade do roteiro também melhorou bastante, e se os dois episódios anteriores possuíam sua grande cota de diálogos não-tão-bons-assim, “Refraction” aproveita os seus atores muito bem com conversas verdadeiras e sinceras. É muito difícil não se emocionar com uma cena nos momentos finais da série, quando Molly recebe a notícia de que está sendo mandada para outra casa.

Os atores estão se provando cada dia mais, tanto os mais novos quanto os mais velhos. Nesse episódio, destaco dois nomes que precisam receber reconhecimento: Allegra Acosta dá o seu melhor como a integrante mais jovem da “equipe”, enquanto James Marsters oferece as várias nuances perturbadas de Victor Stein.

Agora, a tensão está crescendo cada vez mais. Os próximos episódios devem se focar no desmoronamento da relação entre os Fugitivos e seus pais. E se posso palpitar sobre o assunto, a próxima a cair será Nico Minoru, uma vez que sua família está desequilibrada e ela está mais e mais perturbada com as atitudes de sua mãe.

Ainda não sabemos bem como isso vai acabar, e muitas questões ainda estão no ar. Qual é o papel dos Gibborim? A mensagem do Chase do futuro pode ser um indício de que ele é o traidor da equipe? Qual foi a senha da mãe de Nico? E principalmente: Quando eles vão fugir realmente de casa?

Por enquanto, isso permanece um mistério. Mas conforme for sendo revelado, você sabe onde poderá descobrir e discutir a respeito disso. Então… até a próxima semana!

Abaixo, veja algumas imagens do episódio:

Fugitivos são lançados todas as terças-feiras, na Hulu. Não perca as reviews semanais da série aqui, na Legião dos Heróis!

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux