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Agentes da S.H.I.E.L.D.: 5×01-02 – Uma Odisseia no Espaço!

Por Gus Fiaux

Após o desastre conhecido como Inumanos, a ABC precisava se redimir, de alguma forma. A série da Família “Real” quase cimentou a popularidade da emissora perante às outras propriedades da Marvel Television, e de quebra, ainda tomou o lugar de exibição de uma das séries mais adoradas do Universo Cinematográfico da Marvel.

Mas, para a alegria geral, Agentes da S.H.I.E.L.D. está de volta, começando exatamente de onde acabou a quarta temporada, com os heróis sendo sequestrados por um grupo de agentes misteriosos. Além disso, agora é real: os agentes estão no espaço, enfrentando uma nave-colônia comandada pelos Kree e repleta de alienígenas mortíferos.

Com os dois primeiros episódios lançados na última sexta-feira (Orientation, Partes 1 e 2), a série retornou de uma forma bem… estranha. Se, por um lado, já estávamos acostumados a ver robôs assassinos, inumanos, um certo motorista demoníaco e até mesmo tramas espaciais (não esqueçamos da terceira temporada da série), essa, por outro lado, é diferente de uma forma avassaladora.

Após uma breve recapitulação do que aconteceu na temporada anterior, somos fisgados assim como Coulson e sua equipe, diretamente para a ação. Revemos rostos familiares, como Mack – mais assustado e engraçado do que jamais esteve –, Yo-Yo – cada dia mais habilidosa –, Simmons – comprovando cada vez mais que Elizabeth Henstridge é a melhor atriz dramática da série –, May – sempre arrasando – e, é claro, Daisy, demonstrando seus poderes sísmicos com uma maestria absoluta.

E sim, você não entendeu errado. Fitz não está entre seus amigos. O jovem engenheiro foi deixado na Terra, e não aparece diretamente em nenhum momento dos dois episódios.

Logo ao serem perseguidos por aliens sanguinários, os agentes acabam encontrando novos aliados, na forma de Deke e Tess – interpretados, respectivamente, por Jeff Ward e Eve Harlow. Os dois são nativos da nave, e parecem ter muitos mistérios a esconder, apesar de estarem auxiliando a equipe.

No meio disso, fazemos diversas descobertas chocantes. Sabemos que os Kree se apropiaram da nave e fizeram dela sua “colônia” particular, bem próxima da órbita da Terra. Nisso, a raça é comandada por Kasius (vivido por Dominic Rains, em um papel assustador), um excêntrico magnata que não esconde seus trejeitos psicóticos e sua admiração pelo macabro.

Mas a maior revelação fica reservada para o final do primeiro episódio, onde descobrimos que os agentes não estão em sua linha cronológica normal. Em vez disso, eles foram enviados para um futuro muito distante, onde a Terra foi destruída e os poucos humanos que sobreviveram se mantém à bordo da nave-colônia. E a responsável pela destruição do planeta? Ela mesmo, a Tremor.

De modo geral, preciso dizer que estou aliviado com a série e o seu retorno. Parece que mesmo a péssima exibição de Inumanos não interferiu na qualidade de produção da série, e pelo contrário, parece que estamos diante da temporada mais cara, tendo em vista os valores de produção necessários para a construção de cenários e o uso de efeitos visuais.

Em termos de qualidade narrativa, sinto que é um começo promissor, mas que ainda não joga todas as cartas possíveis para fisgar o público de vez, como foi o caso da terceira e da quarta temporadas. O primeiro episódio é, sem dúvidas, mais interessante e envolvente, já que aposta num ritmo mais acelerado e em uma construção digna de ótimos filmes de horror espacial, como Alien: O Oitavo Passageiro e O Enigma do Outro Mundo.

Conforme o mistério vai progredindo e a equipe vai se separando – e se unindo novamente –, recebemos um melhor entendimento do que está acontecendo, e isso é feito de uma forma muito marcante. Aliás, por mais que alguns sisudos-sombrios-e-realistas possam xingar e discordar, a série está com um tom cômico muito divertido, que serve de forma brilhante para compensar e equilibrar pelo tom de horror e pelo suspense crescente.

Só o primeiro episódio tem uma quantidade maior de piadas que toda a quarta temporada da série, e são tiradas que funcionam em 95%, aumentando uma sensação de “montanha-russa emocional” que Agentes da S.H.I.E.L.D. sempre trouxe à tona desde sua primeira temporada.

Por outro lado, devo admitir que o segundo episódio é um tanto quanto arrastado. A trama vai desacelerando enquanto segue os personagens e foca nas interações com os novos rostos, e apesar disso ser interessante, não creio que tenha sido feito de uma maneira muito envolvente – apesar das revelações bombásticas continuarem à tona.

Ainda assim, a qualidade não é negativa. Pelo contrário, mesmo com problemas de ritmo, a segunda parte de Orientation funciona como uma continuação muito boa do “piloto” da temporada, mergulhando um pouco mais nos novos personagens e seu papel na série.

Elogiar o elenco é chover no molhado. Todo mundo sabe dar o melhor de si para compor uma série verdadeiramente astuta e emocionante. Chloe Bennett, Clark Gregg, Elizabeth Henstridge e Ming-Na Wen continuam excelentes em papeis que encarnam desde a primeira temporada, e cada vez mais demonstram uma evolução absurda. Henry Simmons e Natalia Cordova-Buckley, por sua vez, injetam um senso mais cômico, sem perder a fisicalidade de seus personagens.

Em termos técnicos, a série está bem competente. Os dois episódios foram escritos e dirigidos por pessoas diferentes, e isso se nota muito claramente aqui. A direção do primeiro – comandada por Jesse Bohcho – aposta em um clima maior de suspense e de tensão, algo muito visto pela câmera tremida e pela trilha sonora mais ruidosa.

Já o segundo episódio é um arroz-com-feijão sustentável. David Solomon faz algo normal, mas que não compromete o desenvolvimento da trama.

Por enquanto, há pouco a se dizer da série. Mas como dito anteriormente, esse será o ano mais bizarro e estranho de Agentes da S.H.I.E.L.D., e nós ainda precisamos saber como os agentes voltarão à Terra, e como Fitz desempenhará um papel em seu resgate. De qualquer forma, o começo foi promissor, e se conseguir trazer de volta o clima de horror e suspense ou se aumentar as consequências da trama, podemos estar diante do melhor ano da série, superando até mesmo a quase-perfeita quarta temporada.

Abaixo, confira algumas imagens do episódio e as novas fotos individuais dos personagens:

Agentes da S.H.I.E.L.D. vai ao ar às terças-feiras, na ABC.

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux