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Agentes da HIDRA: 4.16 – Nova Ordem Mundial!

- – SALVE A HIDRA! Depois de um breve hiato, Agentes da S.H.I.E.L.D. HIDRA finalmente retornou, e agora Daisy (ou seria Skye, novamente?) e Simmons precisam lutar para reunir seus aliados e sair da realidade virtual do Framework!

Por Gus Fiaux → Há mais de um mês, Agentes da S.H.I.E.L.D. encerrou aquele que muitos fãs consideram como sendo seu melhor arco de histórias. LMD trouxe repercussões grandes para a série, além de mergulhar profundamente na mitologia dos MVAs (Modelos de Vida Artifical), algo muito presente nas HQs da organização.

Ao final, ficamos chocados ao descobrir que AIDA sequestrou boa parte da equipe e os mantém reféns no Framework, uma realidade virtual construída pelo falecido Dr. Holden Radcliffe. E agora, no décimo sexto episódio da quarta temporada da série, intitulado “What If…”, vasculhamos mais dessa realidade.

Do lado de fora, restaram apenas Daisy e Simmons, que logo encontraram uma forma de entrar no Framework para resgatar seus colegas de trabalho. E o mundo lá não poderia ser mais complicado: A S.H.I.E.L.D. foi destruída e a HIDRA impera soberana, caçando Inumanos no mundo todo.

Para piorar, ninguém é mais como eles se lembram. Melinda May é uma agente de alto-escalão da HIDRA. Fitz é o cientista supremo da organização, servindo diretamente à AIDA (ou Agnes, nunca se sabe…), que é a Madame Hidra. Coulson, por sua vez, deixou de ser um líder e é apenas um professor em uma escola de Ensino Médio, onde leciona sobre o motivo do ódio pelos Inumanos e prega as palavras de recrutamento da HIDRA.

Mas o pior ficou para as duas que caíram de para-quedas agora. Daisy está de volta aos dias de Skye, sem vestígios de seus poderes Inumanos. Nessa realidade ela nunca se juntou à S.H.I.E.L.D. e nunca sequer conheceu seus pais. E para piorar, ela namora ninguém menos que Grant Ward – o grande traíra que foi vilão nas três temporadas anteriores da série.

Simmons é outra que não está muito melhor. Nessa realidade, ela morreu na Academia da S.H.I.E.L.D., devido a um ataque forjado da HIDRA. As duas despertam, sendo as únicas nesse mundo com lembranças da verdadeira realidade, e logo têm de se acostumar com a Nova Ordem Mundial da HIDRA.

Dito isso, preciso extravasar: QUE EPISÓDIO FOI ESSE?! Pouco mais de um mês depois de uma review dizendo o quanto a série está em seu auge, e o quão difícil seria superar isso, Agentes da S.H.I.E.L.D. nos prova errados e decola de uma forma extraordinária. Apenas para começar, a série respirou um ar corajoso ao reimaginar completamente suas quatro temporadas, criando uma trama onde tudo deu errado.

É até engraçado comparar com outras séries de super-heróis que estavam fazendo coisas parecidas. Seja o Doomworld de Legends of Tomorrow ou o Flashpoint de The Flash, há muitas similaridades presentes aqui, e é interessante ver como cada série conseguiu contar sua própria história usando esse tipo de artifício narrativo.

Sem querer menosprezar as concorrentes – até porque ambas fizeram um bom trabalho – é S.H.I.E.L.D. quem arrisca ainda mais aqui. O senso de urgência e ameaça iminente é muito mais presente e as reverberações dessa realidade, ainda que sejam virtuais, representam problemas pessoais para os membros da equipe.

E nada disso seria possível sem um elenco fantástico. O destaque do episódio, sem dúvidas, vai para Elizabeth Henstridge como Simmons. A atriz, ao longo de toda a quarta temporada, vem fazendo um trabalho espetacular no papel da cientista. No episódio, ela lida com detalhes que vão desde a corporalidade até a voz de Jemma, criando momentos dramáticos ou cenas cômicas igualmente satisfatórias. “Esse não é o Framework, é o inferno!

Quem também se destaca aqui é Mallory Jansen. Eu já havia dito em uma review anterior que a atriz esbanjava versatilidade na hora de compor suas personagens, quer seja AIDA ou Agnes. Como Madame Hidra, ela mostra uma face nova, que desvia bastante dos outros papeis, criando até mesmo um mistério interessante sobre quem ela é, na verdade.

Agora, a grande surpresa fica por conta de Brett Dalton como Grant Ward. Embora seja um personagem muito bem construído, e que leva facilmente o título de melhor vilão das séries da Marvel, Ward se tornou um meme particular entre os fãs, que já estão até mesmo cansados de vê-lo em todas as temporadas da série. Os produtores também sabem disso, e como resultado, colocaram-no aqui com uma grande reviravolta.

A revelação de que Ward é um agente infiltrado da S.H.I.E.L.D. é chocante justamente pelo quanto ela é previsível. Eu mesmo estava vendo a série já consciente de que todos os papeis seriam invertidos. E quando Ward se mostra um dos mocinhos, não pude deixar de dar um pulo e soltar um grito de genuína surpresa.

Outro ponto muito alto aqui é toda a mudança feita em Leo Fitz. O personagem que sem dúvida é um dos mais adorados pelo fandom da série se tornou um cientista maligno e inescrupuloso, talvez ainda mais perigoso que o Dr. Radcliffe da realidade normal. Sua entrada dramática inclusive é conduzida por um tema musical sinistro e arrepiante, com ares de Darth Vader, mostrando o quão diferente está o personagem.

Mas a grande exploração aqui é feita em cima de Coulson. Ver o grande líder da S.H.I.E.L.D. como um professor apavorado e submisso à HIDRA é algo de partir o coração, ainda que a série consiga estabelecer conexões com o personagem nas temporadas anteriores. Fãs de longa data reconhecerão diálogos sobre um certo lugar mágico.

E é surpreendente o quanto esse mundo novo e tenebroso é apresentado de uma forma bem sucinta. O episódio tem uma narrativa conduzida de forma bem dinâmica, sem espaços para fillers e cenas desnecessárias. Tudo é estabelecido rapidamente, e as resoluções começam a aparecer aos poucos, ao mesmo tempo que os problemas aumentamvocês acharam mesmo que seria tão fácil sair daí, Daisy e Simmons?

Curiosamente, esse é um dos episódios mais recheados de easter-eggs e referências da história da série, que nunca utilizou muito esses elementos narrativos como “muleta” para suas tramas. Separamos até mesmo alguns dos mais evidentes, para que você possa relembrar, caso tenha passado despercebido:

  •  O Triskelion, a base militar da S.H.I.E.L.D. que aparece em Capitão América: O Soldado Invernal, está de volta, mas agora, é um edifício-sede da HIDRA.
  •  T.A.H.I.T.I. é um lugar mágico. Você certamente deve se lembrar disso, já que Coulson não passava mais de um episódio sem falar essa frase nas duas primeiras temporadas.
  •  Lembra da menina que a Agente May precisou matar em Bahrain, o que lhe rendeu o apelido de Cavalaria? Nessa realidade, a menina sobreviveu e foi estudar em Cambridge, onde, em um surto de poderes, acabou matando centenas de crianças. A HIDRA usa esse acidente – que é inspirado pelo mesmo acidente que leva à Guerra Civil nos quadrinhos – para justificar sua caçada contra Inumanos.
  •  Veejay Nadeer, o irmão da senadora Nadeer, está de volta. Não se sabe ainda se ele é apenas uma projeção do Framework, ou se a AIDA conseguiu recapturar seu corpo e colocá-lo dentro da realidade virtual.
  •  Quando Coulson é interrogado sobre as ligações da HIDRA com o nazismo, ele diz que a organização foi fundada muito antes disso. Essa é uma trama bem interessante que foi explorada na terceira temporada da série, e tem a ver com o culto do Inumano Hive.
  •  O nome da escola na qual Coulson dá aulas é Alexander Pierce High School. Trata-se de uma homenagem ao personagem de Robert Redford em Capitão América: O Soldado Invernal. Além disso, o ano em que a escola foi fundada foi 2014, o mesmo no qual o filme foi lançado.
  •  Outros personagens pré-existentes na série são brevemente mencionados. Por exemplo, Lincoln existiu nesse mundo, mas já morreu também.
  •  AIDA (ou Agnes, nunca se sabe) é a Madame HIDRA e tem um caso com Fitz! Segurem-se quem puder!
  •  O episódio é dedicado a Bill Paxton, ator que interpretou o vilão John Garrett na primeira temporada, e faleceu no dia 25 de fevereiro desse ano.

Nos aspectos técnicos, o grande destaque vai para a produção sonora. Por mais que passe despercebido por alguns, a série consegue estabelecer, em um episódio, a atmosfera dessa realidade utilizando apenas melodias graves e inquietas, algo que pode bem representar a grande reviravolta prestes a acontecer nesse novo e tenebroso status quo. Em termos de fotografia, o episódio é funcional, e há pouca ação aqui para poder dar ênfase melhor à direção.

What If…”, apesar de ser o décimo sexto episódio do quarto ano da série, funciona bem como o primeiro episódio de uma temporada à parte. Isso significa que ele não tem medo de lançar questões a serem resolvidas no futuro, ao mesmo tempo em que apresenta os conflitos imediatos e estabelece uma nova atmosfera para a série. Muitas tramas estão sendo abertas, e ao que tudo indica, a solução delas não deve vir tão imediatamente.

Ao menos, Daisy e Simmons já conseguiram fazer um de seus aliados “acordar”. Restam quatro.

Abaixo você pode conferir algumas imagens dos easter-eggs presentes nos materiais de Coulson. Dá só uma olhada:

Agentes da S.H.I.E.L.D. dá lugar ao arco “Agentes da HIDRA”, que vai ao ar às terças-feiras, na ABC.

 

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal de Pernambuco. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux