Capa da Publicação

Watchmen – Ator fala sobre os pontos positivos e negativos do filme!

Por Gus Fiaux

Patton Oswalt ficou conhecido por defender o filme (que, na época do lançamento, havia sido criticado por seu final diferente das HQs), dizendo que ninguém gostaria de uma cópia literal dos quadrinhos de Moore. Há uma semana, ele participou de uma sessão de perguntas e respostas na cafeteria e livraria WORD, da qual Patrick Wilson é um dos proprietários. Lá, uma pessoa na platéia pediu que Oswalt falasse sobre o filme. E apesar de concordarem em alguns pontos, os dois tiveram algumas divergências de opinião:

Platéia: Como fã de quadrinhos e filmes de quadrinhos, o que acharam de Watchmen?

Patton Oswalt: Todos estavam pré-julgando o filme. Como ‘porque estão filmando’ e tudo mais. Primeiro de tudo: vocês nerds estão detonando o filme, mas vão vê-lo. Então parem. Não fiquem com esse mimimi. Sim, vocês verão. Vocês tem todo o tempo do mundo para ver Watchmen. E todo mundo queria desistir do filme, mas Zack [Snyder] foi lá e falou ‘eu vou dar uma chance’. E o que ele fez nesse filme… acho que em qualquer filme, de quadrinhos, livros, revistas, você precisa adaptar.

E teve algumas cenas que ele gravou tão fielmente ao quadrinho que eu não achei que funcionou. Outras cenas foram incríveis. A cena da prisão, aquela foi na verdade uma adaptação da cena da prisão. Foi como ‘vamos usar isso como esqueleto, mas construir algo novo em cima’. E tem a sequência de abertura, que não estava nos quadrinhos e foi incrível.

watchmen-

Então é um filme meio a meio para mim. Eu gostei da ideia mas queria que tivessem feito mais coisas como a cena da prisão ou a cena do final, que teve de ser algo completamente diferente. Você tem que adaptar. Claro que não estou dizendo isso porque ele [Patrick Wilson] está aqui. Achei que as atuações foram demais. Eu amei o Rorschach, achei que Jackie Earle Haley foi fantástico, da maneira que ele sabia que estava fazendo algo meio Gollum tipo o… como é seu nome? Andy Serkis. Ele teve que fazer algo com o rosto que… o que você achou? Você estava no filme, qual sua opinião?

Patrick Wilson: Então, eu amei…

P.O.: Você leu o quadrinho?

P.W.: Sim, li, mas não era chegado a quadrinhos enquanto crescia. Eu tinha lido o roteiro que me mandaram e fiquei ‘que mundo é esse?’ e a partir daí fui pros quadrinhos e depois fiquei ‘OK, entendi’. Sabe, tiveram alguns painéis dos quadrinhos que eu adorei fazer. Eu adoro as cenas em que parava na frente do… Não só porque estava nu [Risos]… mas aquela cena em que eu parava na frente do uniforme.

Havia alguns painéis que eu apenas sentia que precisávamos. Óbvio que não posso falar isso além da perspectiva de Dan Dreiberg, mas havia certos momentos em que eu sentia que poderíamos… sabe, da minha perspectiva, eu sentia que nos quadrinhos lhe dão palavras, e nós estávamos dando imagens. E foi uma ferramenta muito útil. Teve momentos em que você olhava para Dan e sabia o que ele estava pensando ao sorrir, ou olhar para a Espectral ou encarar o uniforme e perceber o quanto aquilo erá másculo e lhe dava poder, sabe? Então, por aqueles momentos, adoro como foram fieis aos quadrinhos, porque achei que me deu força.

Watchmen_2009_004

 

Óbvio que teve alguns erros que eu cometi quando fazia Pecados Íntimos e me disseram: ‘não leia o livro, só o roteiro’ Daí eu li o livro depois que terminei o filme e fiquei ‘oh merda, o que foi que eu fiz?’ Claro que há aquele balanço, quando se está adaptando um roteiro, mas com Watchmen eu estava fiel aos painéis e estava negociando com Zack e Jackie sobre alguns momentos que eu adorava nos quadrinhos, e eu gosto de falar dessa fidelidade. Mas entendo o que você diz. Sobre os momentos no final do filme… não tem como… não dá pra ter uma lula alienígena gigante. Apenas não dá.

P.O.: Funciona brilhantemente nos quadrinhos, mas não dá pra fazer em um filme. Você precisa adaptar então. É o que fazem em uma adaptação. Veja, se tivessem mantido ‘Tubarão’ fiel ao livro.

P.W.: Ah, você está falando do pior livro já feito?

P.O.: Sim. Eu teria visto e… sabe, jogado no lixo. Então, você tem que adaptar as coisas. Mas você falou sobre Pecados Íntimos. Quando estavam fazendo o filme, você e Jackie sabiam que iriam fazer Watchmen juntos logo depois?

P.W.: Não.

P.O.: Sabe, eu fiquei meio chocado. Vocês tinham feito um filme juntos logo antes e eu fiquei pensando se não poderia ser uma versão de uma realidade alternativa de vocês. [Risos] E o filme era meio… [Patton brinca que está com sono].

E o que vocês acharam de Watchmen? A questão da adaptação é uma coisa bem controversa atualmente. Há quem prefira “cópias literais”, e os que sejam a favor de algumas alterações para valorizar o produto cinematográfico. Pessoalmente, eu me encaixo no segundo tipo. Obras como Watchmen, por exemplo, funcionam bem em encontrar o melhor dos dois mundos, mas outras, como o segundo Sin City, por tentar ser fiel até o último detalhe, acaba beirando o subproduto. Prova disso foram os enquadramentos estranhos, que, tendo funcionado no primeiro filme, não conseguiram repetir a façanha com 100% de acerto. Qual sua opinião a respeito do assunto?

Fonte: CBM

Imagem de perfil
sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux